março 27, 2006

Cores

Laranjinhas
Lembrete: Nunca entrar no aeroporto vestindo roupa cor de laranja.
Nunca vi tanto. É uma invasão! Tenho lá minhas dúvidas se eles não me perseguem. Ônibus laranja, funcionários do check-in ao comandante vestindo laranja. Tudo bem, é a identidade da companhia. Paro para jantar uma pizza e adivinha de que cor eram os uniformes dos atendentes? Siiiim! Não tive coragem de pedir o suco. Tomei um guaraná.
Red
Free shops são um paraíso à parte. Meu embarque era no portão internacional. Uma maravilha. Apesar da fila para alfândega, mesmo com passagem doméstica, gastei uns bons minutos entre prateleiras de perfumes importados a preço de banana. Converti o valor para real no celular. Menos da metade, que delícia!
Um aviso alertava que ali não se aceitava pagamentos em reais. Perguntei para a caixa se aceitavam cartão de crédito. "Claro. Todos menos os de débito" - respondeu. Feliz da vida, peguei um Hugo Boss Red e estiquei o braço para alcançar meu cartão. Eis que me pedem: " Por favor, o passaporte e o cartão de embarque." Não tinha passaporte em mãos e só o bilhete pra Porto Alegre. Com aquela educação de aeroporto que beira o irritante a caixa me disse: "Sinto muito, senhora. Só podemos vender para quem vai deixar o país." Por segundos, cheguei seriamente a pensar em partir para Montevidéu.
Colorê
Existem estratégias de marketing no mínimo burras. Deparei-me com uma delas num desses meus fins de semana de mãe honorária. Fui ao cinema assistir um filme infantil com minha irmãzinha. Sala especial. Em letreiros coloridos dizia: "Espaço Disney". Bacana - pensei, isso antes de entrar na sala.
Gritaria. Pipoca no chão. Cabelo na mão. Era uma bagunça! As cadeiras; cada uma de uma cor, e a criançada enlouquecida e hostil, brigando ora pela cadeira rosa, ora pela azul, ora pela amarela... Se Chaves adentrasse aquele espaço, possivelmente diria a quem o elaborou: " Que burro, dá zero pra ele!"
Enfim, poderia ser pior. Ainda bem que não estavam estampadas com as caras dos personagens.

março 24, 2006

Office-girl

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Descobri que estava quebrado só quando abri. Puta merda! – pensei – peguei o guarda-chuva errado. Justo quando teria que descer e em seguida dar uma bela pernada de salto alto até alcançar a Av. Paulista. Estacionamentos não faltam pela redondeza, é verdade, porém são caros e o metro quadrado por minuto costuma sair salgado por aquelas bandas.

O relógio marcava 7h35. Já previa a necessidade de fazer hora pelo menos até os bancos abrirem. Deixei o carro bem longe, onde assegurasse que ao invés de R$ 8 a hora não pagaria mais que R$ 2 pelo mesmo período. Longe, inconveniente, mas econômico. Pra variar, mais uma vez meu lado fresca se curvava ao pão-dura, que só perde para o outro quando cai naquele velho truque da liquidação. Ô palavrinha perigosa!

Segui munida apenas com aquele pedaço de tecido com meia dúzia de varetas ainda inteiras, brigando numa luta acirrada contra o vento e a chuva que pareciam vir cada vez mais fortes, num delírio sarcástico, como se obtivessem prazer em serem responsáveis pelo meu desalinho. Quase 8 da manhã. Em meio ao atrapalhado manuseio da coisa estropiada tentava manter certa elegância para não fazer feio naquela passarela empoçada onde desfilavam apressados ternos e gravatas pra lá e pra cá.

Tinha assinalado na agenda tudo que deveria fazer naquela manhã. Primeiro sacaria dinheiro para pagar uma conta de luz vencida com título de outro banco. Depois buscaria os livros de espanhol encomendados na véspera. Passaria então em uma lotérica para recarregar meu celular e também não poderia esquecer de passar numa farmácia no caminho.

Cheguei enfim no primeiro banco. Um dos caixas eletrônicos estava sob manutenção. O do lado, quem sabe, estaria funcionando. Esperei para ver se o rapaz que estava a minha frente sairia daquele caixa com sucesso. Olho para o lado enquanto aguardo, até porque não é prudente olhar para frente nesses lugares. Sempre tem um desconfiado que pensa que a gente tá lá tentando bisbilhotar a senha do infeliz.

E estava lá, colado naquela porta de vidro trancada o aviso do banco que dizia: “Expediente das 10h às 16h”. Droga! Podia jurar que abriam às 9h! Era inacreditável que naquela babilônia onde todos pareciam estar sempre com pressa fosse possível contar com a boa vontade dos bancários só a partir daquele horário. Sindicato forte é outra coisa mesmo. Seria uma hora a mais para esperar e engordar o cofrinho do estacionamento.Que jeito? Saquei o dinheiro e empunhei novamente aquele troço para encarar a chuva. Um café, quem sabe? E um livro. Buk me faria boa companhia e transformaria aquele monte de ócio em segundos.

Foi o que fiz e, de fato, passou voando. Dei seguimento ao meu plano. Fila de banco. Conta paga. Livros pegos. Celular carregado. Remédio comprado.

Cheguei em casa e a chuva parou.

março 08, 2006

Reflexão do dia


O dia que um homem me possuir com a mesma voracidade com que os pernilongos me atacaram essa noite, aí sim, me sentirei a mulher mais gostosa do mundo!

março 07, 2006

Brokeback Mountain, refri gay e iniciativa feminina

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Sexta-feira. Última sessão. Uma corrida só para ver os principais indicados ao Oscar em tempo de acompanhar a cerimônia. Já adianto que não consegui ver todos que gostaria. Confesso até que estava bem mais inclinada a assistir Paradise Now, indicado para melhor longa estrangeiro, do que priorizar o filme que José Simão carinhosamente apelidou de “Rave na Montanha”, favorito para levar os homenzinhos dourados para casa e com quatro estrelinhas dadas pela Veja.

Pois bem, que mal tem. Afinal a produção palestina só estava em cartaz em um cinema e sem sessões extras como a dos cowboys. Aliás, abre parênteses, nunca mais a expressão “tomar um cowboy” terá o mesmo sentido para mim. Viram como os caras se encharcavam de uísque? Puro? Será que foram nas pescarias de um Clube do Bolinha gringo e muito suspeito que surgiu a expressão?

Não importa. O que interessa é que o amor é lindo, o Heath Ledger é lindo e a Pepsi é gay! Para quem ainda não viu ou resolver entrar no clima do tema e deixar aflorar o teletubbie que tem dentro de si (De novo! De novo! Heheheh) nem precisa prestar muita a atenção para identificar o logo da Pepsi no México, onde, segundo consta na própria narrativa, tudo pode. Os “chicos” podem ficar soltos e endurecer sem perder a ternura. Será que foi apostando nesse nicho que a marca lançou o Pepsi X na esperança de regar as loucas noites de rave? E a Coca-cola no filme? Aparece imponente, num freezer bem grande e vermelho atrás de um casal hetero. Estranho, muito estranho...

Bom, eu não quero contar a história pra quem não viu até porque é o tipo de sacanagem que ninguém merece, portanto, se alguém se sentir ameaçado lendo esse texto SAIA JÁ E SÓ VOLTE COM O FILME VISTO! Se não, pode ler porque eu não vou contar nada de mais mesmo. Além de muito alcohol, da guerra dos softdrinks e de talvez, promover uma bela campanha anti-tabagista homofóbica (só os gays fumam nesse filme, é incrível!), outra coisa poderia soar como uma indireta à mulherada, como quem diz: “Se ele te viu, você deu mole e ele nem, esquece garota! O gato não tá afim ou não gosta da fruta”.

Meus primos estiveram em Sampa semana passada. Durante a exibição do filme foi inevitável lembrar de uma observação feita em relação ao comportamento dos homens e mulheres na noite paulistana. Disse meu primo: “Bah, os caras são meio parados por aqui, né? Não chegam muito nas gurias”. “Não é sempre assim, mas a mulherada aqui também não perdoa”, respondi.

Existem inúmeros fatores pra justificar a falta de timing dos meninos (covardia, comodismo, timidez, achar que a carne daquele açougue é de segunda mesmo,...), mas fiquem espertas, colegas! Hello! São Paulo não conquistou o título de uma das maiores paradas GLBT do mundo à toa. Há maneiras bem mais femininas de se demonstrar interesse sem um approach mais agressivo. Quando o cara não quer, não quer. Não adianta forçar a barra nem é inteligente chamar de veado. Deixa estar. Eu vou deixar. Pelo sim, pelo não, só quero bambi infeliz na minha cama se for em estampa de lençol neo-expressionista. Pessoal, sem ofensa, viu? Como dizia um ex-cunhado, “eu sou S”! Amigo, amigo...

fevereiro 28, 2006

CPI do Carnaval!

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Injustiça. Sacanagem. Puxada de tapete descarada. Essa foi a sensação e o sapo entalado na garganta dos componentes da Gaviões da Fiel. Não só da torcida e da comunidade, mas, certamente, de muitos amantes do samba que em coro amargam essa baixaria. E de mãos amarradas.
Não sou paulista, nem corinthiana e muito menos torcia pela escola, mas assisti a um desfile empolgante, de samba-enredo fácil e gostoso de dançar. Dava até gana de cantar "Sou anjo Gavião nas asas da imaginação..." Perder pontos por estourar o tempo, tudo bem, mas a pontuação baixa generalizada ficou muito suspeita. Gostaria de ver a justificativa dos jurados, que segundo as novas regras, devem constar junto às notas. Para mim, o carnaval de São Paulo que se mostrava em plena evolução, mais maduro, mais bonito, um espetáculo de grande qualidade cai em descrédito quando um evento lastimável como esse acontece. Não será somente a Gaviões a ser rebaixada. A derrota é também do carnaval paulistano. Que perde o prestígio. Todos saem perdendo.
O carnaval que é uma festa para trazer alegria e encantar a espectadores e foliões cai na desgraça burocrática. Ao invés de breve ruptura autorizada da ordem, uma mímese da mais desleal face do dia-a-dia. Cheia de regras e oportunidades para sabotar legalmente a quem bem entenda. Sem querer desmerecer, não sei como vence uma escola com desfile tecnicamente correto e de arquibancada muda. A animação deveria ser um imperativo no carnaval.
Injusta. Muito injusta. A Liga deveria se envergonhar. Shame on you! E de todos os jurados que possam ter colaborado para a execução dessa infame rasteira na Fiel, uma escola com 30 anos de carnaval paulistano. Quem será a próxima vítima? Protestaram os torcedores da Gaviões com faixas que clamavam por moralização e uma CPI do carnaval. É uma pena, provavelmente não dê em nada.
Nessa quarta-feira de cinzas, espero que este gavião renasça feito fênix. Parabéns Gaviões! Lindo desfile, samba de primeira e uma elegância exemplar ao deixar a apuração no sambódromo sem nenhuma confusão. De baixaria, já basta a deles. Acenderam as luzes e acabaram com a nossa festa. E a sujeira? Rogo que daqui pra frente só vejamos de confete e serpentina.
Sou Anjo... Gavião
Nas Asas da Imaginação
Eu QUero Paz... Olho pro céu
E Peço a benção de São Jorge pra Fiel
Vi Num Sonho de Criança
Meu Pensamento Flutuar
Abraçado às Estrelas
Eu Me Senti Mais Leve que o Ar
Vi Também A Passarola
Pego a Viola Sou Feliz e vou cantar
Lá Vem o Trem... Lá Vai Balão
Santos Dumont... 14 Bis
Glórias Para O Meu País
Bonjour... Mon Amour... París
E Assim... Cruzando Mares
Navegando Pelos Ares... Conquistei
A Lua... O espaço Sideral
Volto A Realidade
Mas Que Saudade De Ganhar o Carnaval
Tô dentro da Pista...
Eu Quero Voar
Aperte o Cinto
Vamos Decolar
Amor em teus Braços
Vou Me Apaixonar
Eu fico louco só de Imaginar

fevereiro 08, 2006

Aniversários

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2 de fevereiro. Dia de Nossa Senhora dos Navegantes e véspera do meu. Para minha estranheza, descubro que não é feriado em São Paulo. Que legal! Impossível evitar certa empolgação com o meu histórico. Sim! Para quem viveu anos à sombra de homenagens à Iemanjá, amargando aniversários em meio a feriadões, quando não enfrentando uma verdadeira via crucie na praia, chutando melancia e caroço de milho verde, desviando de frango assado e quase furando os pés em cacos de vidro dos espelhinhos ofertados à santa nos festejos à beira-mar. Costumes do sul, que não me orgulho nem um pouco. Será que por esses lados também tem disso? Não sei.

Fui uma aniversariante frustrada por muito tempo. De festinhas não mais vazias graças a parentada de fé e dos beberrões e barrigudos que não perdem uma boca livre por nada. Adoro ser aquariana, ter nascido às três da tarde, em pleno verão, no mês e país do carnaval, mas não poder ser presenteada com a presença de muitos amigos queridos sempre foi um fato que me custou a aceitar.

E nos tempos de escola então? Que aquelas ingratas férias estudantis de três meses só colaboravam para impossibilitar a reunião dos buddies mais chegados. Aprendi a duras penas e litros de lágrimas a entender que meus amiguinhos não viriam na minha festa porque os pais estavam de férias em Florianópolis, Capão da Canoa, passeando pelo nordeste ou mandaram os pimpolhos para Disney, enfim, na puta que pariu bem longe de onde eu inventei de comemorar.

É, nem ovo na cabeça eu levei (Esse hábito será que existe aqui também?). Pelo menos não em virtude do meu aniversário. Confesso que já cheguei a sentir uma ponta de inveja dos colegas que voltavam do colégio com as cabeças adornadas por farinha, ovo, mate, areia, catchup, tinta guache, todo o tipo de porcaria pegajosa e fedida que estivesse ao alcance ou cálculo premeditado daquelas mentes brilhantes. Eu sei. Aquilo levaria dias para devolver às madeixas o cheiro de shampoo. Nojento, mas uma sincera, embora esquisita, demonstração de lembrança e carinho dos companheiros de classe. E era justamente essa sensação que eu desejava ter. Por um período cheguei a cogitar a hipótese de celebrar os meio-anos completos. Quem sabe assim, fazendo meio-ano em agosto, eu teria a chance de juntar a tchurma. Achava a idéia genial, mas não colou. Não sei porque as pessoas têm tanta resistência a abrir mão de velhos paradigmas! Anyway, segui soprando velhinhas só em fevereiro, com a platéia que fosse, que fui também aprendendo a valorizar.

Neste ano as bodas chegaram em São Paulo. Na babilônia apressada que não tem o dia 2 destacado nos seus calendários. Num mundo mais maduro, onde meus amigos já não passam meses ao ar livre em praias distantes, mas de segunda a sexta na labuta em estruturas de concreto por aqui mesmo.

Arrisquei. Agendei uma comemoração, mesmo estando bem familiarizada com a minha sorte rotineira nessa data. Seria em um bar que me daria uma garrafa de champanhe independente dos meus convidados aparecerem. Para variar, deu merda. O lugar estava uma droga. Tudo bem. Nenhuma surpresa. Com a serenidade que o tempo me deu, saí, enviei mensagens, remarquei em outro local e me dirigi para lá, decidida a não deixar passar em branco e a aproveitar a companhia de todos aqueles que se dispusessem a me prestigiar. E foi assim, gostoso e despretensioso que comemorei meu aniversário. Não meio-ano, mas ano inteiro e em fevereiro, em pleno verão, no mês e país do carnaval.


Obs: Obrigada a todos que estiveram presente. Significou muuuito pra mim. E também a todos que lembraram, me ligaram, escreveram ou mandaram mensagens de parabéns! Muito obrigada!

janeiro 28, 2006

Lições de Buk e Homer


Buk e Cass

Bukowski rules! Realmente o conto "A mulher mais linda da cidade" é genial. Buk empresta a sabedoria de sua embriaguez sana a personagem Cass. Fiquei fã da Cass. Olha só que lindos e francos trechos:

" - Imaginei que estivessem interessados em mim e não apenas no meu corpo. - Eu estou interessado em você e também no teu corpo. Mas duvido muito que a maioria não se contente com o corpo."

" - Por que é que faz tanta questão de esculhambar o teu rosto? - perguntei. - Quando vai se conformar com a idéia de ser bonita? - Quando as pessoas pararem de pensar que é a única coisa que eu sou. Beleza não vale nada e depois não dura. Você nem sabe a sorte que tem de ser feio. Assim, quando alguém simpatiza contigo, já sabe que é por outra razão."

Tem outros ótimos, mas não vou estragar a descoberta. Deixo que leiam no próprio livro do querido velho safado.

Espírito esportivo by Homer Simpson

Homer anuncia à familia que tem um compromisso importante, uma competição de cerveja. Bart lhe pergunta: - E você acha que vai ganhar, pai?

Homer responde: - Filho, quando se participa de eventos esportivos não importa quem perde ou quem ganha, mas o quão bêbado se fica.

janeiro 26, 2006

Acorda, Tininha!


Não lembro a última vez que li com fé meu horóscopo, mas recentemente fui assaltada por essa nostalgia, uma vontade estranha de voltar a acreditar na influência do zodíaco.

Confesso que cresci viciada em revistinhas astrológicas. Enquanto a maioria das meninas da minha idade babava, debruçada sobre as fotos do Brad Pitt e tentava descobrir naquela literatura teen, entre tantas outras dúvidas bestas, se afinal OB tirava ou não a virgindade, eu, no “alto” dos meus 11 anos, comprava religiosamente meu guia astral do mês. Já sabia qual era meu ascendente, signo solar, lunar, complementar, chinês, etc. muito antes da primeira menarca.

Diria até que foi João Bidu quem me introduziu o hábito de ir às bancas se não fossem os gibis da Turma da Mônica. A propósito, lembram da Tina? Amiga do Rolo? Uma hippie, de óculos, muito supersticiosa? Adoro a Tininha! Tenho registrado na memória até hoje as histórias em que ela fazia ou deixava de fazer uma série de coisas em virtude do que rezava o horóscopo.

Já fui assim. Não de cancelar meus planos com medo de ser penalizada pelos astros, mas de ficar esperançosa, na expectativa da realização de coisas boas quando a previsão me era favorável. Tinha o costume de tentar descobrir o aniversário dos meninos por quem havia desenvolvido uma paixonite platônica só para checar se o signo combinava com o meu. O nome completo e a idade para a numerologia. Conferia as possibilidades daqueles proto-relacionamentos terem algum futuro, os dias mais propícios para a realização do amor, para cortar o cabelo ou quem sabe fazer uma fezinha. Tolice, mas de uma inocência gostosa absurda. Um gozo que, com o passar do tempo, o descrédito na astrologia e a maturidade levaram ao esquecimento, mas que hoje sinto renovado o desejo de despertar essa Tininha adormecida dentro de mim.

Estamos no começo do ano e outra vez minha mãe saiu em busca do Almanaque do Pensamento que, segundo ela, “não falha nunca!”. Por livre e espontânea pressão li com o descompromisso de quem folheia uma revista de fofocas velha. Naquele almanaque estavam citados os percalços de 2005. Aconselhava os aquarianos a terem prudência e responsabilidade em 2006 e anunciava uma infinidade de realizações no trabalho, no amor, nos estudos...

É, parece que este é o meu ano. E também do meu signo no horóscopo chinês. Que beleza, não? As forças do universo conspiram a meu favor! Era tudo que eu queria! Penei ano passado. Sofri mudanças radicais. Aprendi muitas lições, sem dúvida, como também tive momentos de alegria inesquecíveis, porém, na hora de pôr na balança, não há como negar que foi dureza. Essa previsão de um ano bárbaro, próspero, é convidativa demais para abandoná-la na sarjeta da indiferença.

Acreditar é tão bom! Quanto mais desapegada do mítico e divorciada das crenças me fiz, mais forte fui tendo a certeza que a lucidez do meu ceticismo não paga o prazer de acreditar. Pois bem, que mal há de causar? Vou apostar minhas fichas na tolice dos velhos tempos e celebrar bem contente a chegada do ano novo chinês no dia 29, o ano do cão (e que não seja DE CÃO, veja bem). E quem sabe até comer nhoque com dinheiro embaixo do prato para ver se engordo meu pé-de-meia.

janeiro 13, 2006

Um fio-dental, um texto, uma unha


Agora entendo o porquê de tantos meninos adorarem folhar revistas femininas. Lembro de ter flagrado em várias fases da minha vida um coleguinha ou outro surrupiando uma Capricho ou uma Nova qualquer só para dar aquela bisbilhotada no universo das calcinhas. E adoravam! Riam, faziam descobertas, alguns até se sensibilizavam e se empenhavam em entender melhor a nós, mulheres. Hum, será que foi assim que surgiram os primeiros metrossexuais? Lendo ocasionalmente uma seção de moda, de beleza ou um daqueles comentários bestas de "como o cabelo de fulaninho é lindo!", "Gosto de homens assim ou assado"? Anyway.

Foi no mais legítimo templo cor-de-rosa que tive a surpresa e o prazer de experimentar essa sensação de dar uma checada em como andam as publicações masculinas. Sim! Achei uma revista masculina perdida entre aquela avalanche de revistas de mulherzinha e de fofoca típicas das sala de espera de dentista e de salões de beleza. Olha, tenho que confessar, a dos meninos é muito mais legal. Não sei se foi o ar de novidade ou a abordagem diferenciada, a única certeza que tenho é que definitivamente não foi a bunda da Sabrina que me empolgou.

Estava eu lá, com uma mão esticada, entregue a sorte e ao bel-prazer da manicure, equilibrando a revista sobre as pernas e tentando virar as páginas num procedimento quase que cirúrgico para não borrar a unha, enquanto me deleitava com as piadas, os depoimentos e as matérias do periódico dos XY. Não foi minha primeira vez, mas a única que realmente li com mais afinco e num local que jamais pensei que pudesse encontrar a tal revista. Até percebi alguns olhares de desaprovação, quando entre uma página e outra ficava evidente os ensaios da mulherada seminua ou títulos vorazes em vermelho, de fazer muitas boas moças ruborizarem, mas sem dúvida bem interessantes. Não tava nem aí. O garimpo no campo alheio era mais forte, mais curioso.

Descobri roteiros que há tempos queria saber se eram bacanas. Li narrativas eróticas de botar as séries de "Julia" no chinelo e dicas de livros que me farão investir algumas horas explorando as prateleiras das livrarias. E o melhor, ver o ponto de visto do macharedo sem maquiagem (ou com pouca, pelo menos). Enfim, acho que vou sublimar as fotos da tigrada famosa de fio-dental e me tornar uma leitora assídua!

Meninos, até me solidarizo com essa curiosidade, mas quer saber? Sou mais de ler as histórias de vocês que perder meu tempo e dinheiro com dicas de "como agarrar seu homem", fala sério! Aliás, não fala não. Como piada isso desce bem melhor!

janeiro 11, 2006

Rever-te


Há muito tempo não via o mar. Por tantas vezes meu companheiro e cúmplice dos meus devaneios a cada passo descuidado em que deixava minha mente vagar. Senti novamente sob os pés a areia molhada. As pegadas sendo apagadas e as ondas dançando ao ritmo do vento, vindo suavemente minhas pernas acariciar. A brisa úmida da maresia beijava por inteiro o meu corpo, enquanto o sol, que já se despedia, ainda emprestava seu calor e ali espreitava, voyeur, delatando sua presença através da natureza envolta por seu inconfundível contorno dourado; irresistível.

De repente era como se ali ninguém mais estivesse. Fui deixando o deleite daquele momento me anestesiar. Sem perceber, suspendia qualquer insegurança, logo não tinha nenhum problema ou preocupação. O murmurinho ao redor silenciava. Nada mais que o barulho do mar. Mergulhava então dentro de mim, na mesma paz de outrora, que nenhum outro cenário conseguira, com tamanha maestria, me proporcionar. E foi assim por muitos anos que tantas vezes fiz planos, reconheci meus enganos, centrei minhas idéias e pude então recomeçar.

Havia esquecido do quão importante para mim era o mar. Que poder é esse que ao salgar minha pele consegue minh’alma lavar? Daquela imersão quase incestuosa, fazer emergir de mim um estranho senso de consciência própria. Um lapso de lucidez confortante, em que tudo se torna claro; simples; fácil. O palpável, alcançável. O inútil, descartável. Os degraus para cada meta na proporção exata. Nem super, nem sub estimado. Fiquei muito tempo longe do mar. Me perdi. Enlouqueci. Fiquei à toa. Sem bem saber o que fazer. Sem perceber a falta e o bem que ele me faz.

Ah! Que tolice há de parecer, mas o que posso fazer? Talvez jamais em palavras consiga de fato expressar como foi doce meu reencontro com o mar.

janeiro 06, 2006

Top Sampa 2005

Prometi para alguns amigos que colocaria no blog a minha lista do melhor de São Paulo em 2005. Confesso que apesar da fama de baladeira conheço ainda pouca coisa da cidade, dada a imensidão de estabelecimentos existentes. Mesmo assim, da minha experiência de apenas seis meses caindo na noite paulistana já visitei mais de 40 casas e é dessa relação que tiro os meus favoritos.
Tentei dividir por estilos, já que botar tudo num mesmo saco tava difícil. Para quem curte música eletrônica vou ficar devendo, já que não é a minha praia e, mesmo que eu tivesse ido a casas desse gênero, não tenho muita credibilidade para dizer qual é melhor, então... Se alguém quiser coroar alguma nos comentários, fique à vontade. Bjs

Variada: Happy News Jump Bar

Não sabe onde vai estar legal no sábado? Na Happy News não tem erro. Capacidade para 1200 pessoas e sempre lotada. Super animada, a azaração é total num clima quase de micareta, ideal para solteiros, pois lá só não beija quem não quer. Tem dois ambientes e toca de tudo, para agradar todos os gostos. Além disso, dá para subir nas mesas e também tem uma espécie de um balcão no meio da pista, onde o pessoal pode subir e soltar a franga à vontade. Nesse mesmo espaço há apresentações de pocket shows no meio da balada.
Site:
www.grupohappynews.com.br

Black: Rose Bom Bom

Para dançar a noite inteira. Só black, sem (ou quase) música repetida e uma melhor que a outra. Parece impossível? Mas como diria Sabrina Sato “It’s true! É verdade!”. Muito bom! Vai ser difícil decidir a hora de ir fugir para o bar ou dar aquela passadinha no banheiro. Se o calor apertar, a casa dispõe de um ambiente com uma das paredes toda aberta, como aquelas portas de bares, bem fresquinho, onde dá para relaxar um pouco e continuar curtindo o repertório black ou ver alguns vídeos no telão.

Dica: Leve talão de cheque ou dinheiro. A casa estava esperando chegar as máquinas dos cartões de crédito e débito. Se puder deixar o carro no estacionamento ao lado, melhor. Manobristas suspeitos em frente à casa. Levamos uns 40 minutos para receber o carro e só depois de ameaças de chamar a polícia.
Sem site (Luiz Murat, 370 – Vila Madalena)


Trash: A Lanterna

Os anos 80 vieram com tudo nesse 2005. Embora a famosa festa Trash 80’s, do clube Caravaggio, já existisse há mais tempo, a febre se espalhou não apenas por Sampa, como também por outros estados brasileiros. Sidney Magal, Gretchen e Rosana agradecem a retomada da popularidade. No meu ranking, a balada trash favorita fica com os sábados animados por Luciano Nassyn e Banda, em A Lanterna, na Vila Madalena. Luciano Nassyn é ex-integrante do Trem da Alegria e apresenta um repertório que vai de Wando a AC/DC. Sério, eles tocam de tudo, até axé e Pink Floyd, mas na maior parte são músicas dos anos 80. Além dos top trash, também há algumas do rock brasileiro da “década perdida”, como “Amante Profissional”, divertidíssimo!

O mais legal é ver o público (que não é GLS) voltar a ser criança e ter a opção de ouvir outro tipo de música também. Além da parte dos shows, a casa dispõe uma pista de dança que, apesar de pequena, é bem animada.

Dica: Como também é restaurante (especializado em comida mediterrânea), a pedida é chegar mais cedo e provar um dos deliciosos pratos da casa. Cada prato isenta uma entrada, ou seja, jantando dá para consumir o valor que seria morto da entrada, pagar estacionamento apenas uma vez optando por jantar na própria balada, garantir mesa no local (tão disputadas mais tarde) e ainda aproveitar um showzinho de MPB que rola antes, até a meia-noite.
Site:
www.lanterna.com.br


Funk: Armazém da Vila

Chão! Chão! Chão! Tati Quebra Barraco rules! Essa é para, no mínimo, voltar para casa com a barriga doendo de tanto rir das letras escrotas e da tigrada dançando enlouquecida nas quartas do Funk na Vila, no Armazém, Vila Olímpia. Tem show da Quebra Barraco seguido de mais funk e black sob o comando do Dj Tubarão, responsável pela seleção do mal da Rádio Bandeirantes aos sábados e o pancadão do Gilberto Barros, no Sabadaço. É bem legal e, para quem curte dançar, dá para suar bastante e queimar umas calorias. Uma vantagem da casa é que possui uma parte do teto móvel para aliviar o calor nas noites mais quentes.

Dica: Não é povão e tem preço de balada normal da Vila Olímpia. Mesmo assim, é aconselhável que a mulherada não vá de saia por precaução. Ir com alguns amigos homens na turma também cai bem, já que o assédio é grande, embora o pessoal se respeite.
Site:
www.armazemdavila.com.br


Forró: Canto da Ema


“Olha isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais. Olha quem tá fora quer entrar, mas quem tá dentro não sai.” Forró de primeira. Pra gringo ver. (Sério, volta e meia tem algum estrangeiro conhecendo a casa. É ponto turístico). Na linha de Dominguinhos, Elba Ramalho, Jackson do Pandeiro, etc. Até para quem não gosta de dançar forró vale a pena porque os preços da casa são em conta e há dias de shows especiais como encontro de Elba e Dominguinhos e Rastapé, entre outros. O legal é que o pessoal vai para dançar mesmo. A gente sempre volta de lá sabendo um passo novo. Azaração existe, mas no Canto da Ema a maioria do público vai para dançar e sabe, o que é melhor! Dança uma música, agradece no final e já troca de par para a próxima, sem precisar saber o nome, de onde é, etc. Muito bom! É bem light, com um clima saudável. O tipo de balada que dá até para ir sozinho, dançar juntinho e sem precisar beijar ninguém heheheh

Dica: Roupas leves e sapato baixo é a primeira de todas. Se tiver alguma carteirinha de estudante, não esqueça de levar. Lá há meia-entrada. Tem forró de segunda a segunda, mas os domingos com o Bando de Maria e as quintas com shows diferentes são os meus favoritos.
Site:
www.cantodaema.com.br


Flashback: Asia 70


Bem freqüentada, longe dos just-eighteens que invadem as baladas, com restaurante japonês acoplado, uma decoração linda e uma pista bombada, com flashback e algumas músicas atuais também. Eleito pela Veja como o melhor lugar para paquerar em Sampa. De fato, tem bastante gente bonita. Uma das vantagens é de ser outra opção de jantar e balada num só lugar.

Dica: Vá bem arrumado. Quinta-feira é o melhor dia.
Site:
www.asia70.com.br


Rock: Café Piu-piu

Para quem gosta de rock mais clássico é uma pedida perfeita. Tem cara de pub e um público mais velho que acompanha em coro o repertório das bandas. Vale a pena conferir as sextas animadas pela banda Rockover. Só pela figuraça que é o vocalista já compensa a ida. Para entrar na casa também é em conta já que só cobram couvert artístico.

Dica: Se quiser conseguir uma mesa é bom chegar cedo. Não são aceitas reservas. A parte chata é que sem mesa é preciso comprar fichas no caixa para retirar os pedidos no balcão.
Site:
www.cafepiupiu.com.br


Pop Rock: Na Mata Café

Bom para o meio da semana, já que o lugar é pequeno e lota nos fins de semana, ficando insuportável. Bem freqüentada, mas com um público mais mauricinho, é um pouco cara, embora os shows paguem o valor do ingresso. As quartas são as noites mais famosas, quando a banda do Júnior (Sandy & Jr), Soul Funk, comanda o palco. Depois da banda, o som black predomina na pista.

Dica: O atendimento no bar ao lado da pista é péssimo, muito demorado. Ás vezes pode ser mais interessante caminhar mais um pouquinho e fazer os pedidos no bar da frente.
Site:
www.namata.com.br


Sertanejo: Villa Country

Esse definitivamente não está entre os meus ritmos favoritos, mas a casa é tão legal que a gente releva os hits “porta torta”. É um ambiente bem mais requintado, com um repertório, apesar de sertanejo, longe do gênero “Garagem da Vizinha”, povão. Para quem quiser aprender alguns passos, há instrutores mais cedo e alguns grupos que ficam dançando quadrilha no meio da galera. Foi lá onde a Globo comemorou o lançamento de novelas como América e Bang Bang. É bem divertido e pela beleza do lugar se torna uma casa indispensável de ser visitada.

Dica: Quem tem uma bota, um chapéu, uma camisa xadreza, um lenço ou um cinto no estilo cowboy pode tirar do armário e caprichar na produção, já que lá muita gente entra no clima e vai “fantasiado” mesmo.
Site:
www.villacountry.com.br


Bares: Empanadas, Filial e Dona Flor

Botecagem é o que há. Seja antes ou depois da balada, a noite não fica completa se não tiver uma passada por um bar ou, por que não, passar a noite toda conversando, bebendo e degustando uns petiscos no bom e velho boteco. As opções são muitas, mas minhas três favoritas são o Empanadas, o Filial e o Dona Flor.
Resumo da ópera:
Empanadas - Serra Malte e deliciosas empanadas a um custo surpreendentemente baixo.
Filial - Melhor fim de noite segundo a revista Veja. Cozinha aberta até altas horas para aliviar a larica dos mais boêmios. O caldinho de feijão é imperdível.
Dona Flor - Bom para esquenta. Bar em Moema, bem freqüentado, com música de balada para já ir entrando no clima.

dezembro 30, 2005

Feliz 2006!


O tempo nem sempre nos permite o capricho de parar com calma e deixar uma mensagem de efeito para essa virada de ano, mas apesar do tic-tac do relógio forçar minha partida, me limito a simples e sincera tarefa de desejar a todos um excelente 2006, muito melhor que esse ano que termina.

Um grande "axé" para todos que me prestigiam e que, por isso, tornaram meu ano mais especial. Muito obrigada!

Que tenhamos um 2006 próspero, mais solidário, menos corrupto, com mais boas notícias do que ruins e, claro, cheio de histórias divertidas que dêem margem a um sem número de textos recheados da mais pura e gostosa malícia heheheheh

Feliz 2006!

dezembro 24, 2005

Gorro encarnado? Prefiro de morango

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Pensava em escrever um texto super inspirado. Comentar essa energia positiva e pseudo-onda de solidariedade que parece se alastrar nessa época do ano, mas uma imagem me surpreendeu e interrompeu a proposta light me forçando a embarcar numa linha mais crítica que fraternal.
O que foi o Papa com aquele gorro de Papai Noel? Sério! Essa notícia chega a ser ofensiva. É como se fosse o endosso da Igreja ao capitalismo globalizado. Não dá para aceitar numa boa que o mesmo Papa que repudia a pílula e a camisinha seja conivente com um símbolo tão comercial como Papai Noel (e ala Coca-Cola como conhecemos hoje).
Não que eu não ache o bom velhinho simpático. Por anos acreditei em Papai Noel e outros tantos fingi continuar acreditando, com medo que a mamata acabasse logo que meus pais descobrissem que eu sabia de toda aquela deliciosa farsa. Afinal, é o tipo de fantasia que a gente gosta de ter. Como o corno que é feliz na sua ignorância.
Não consigo entender e muito menos aceitar essa atitude do Papa. O que é isso, companheiros? Sem dúvida, digno de rechaço maior que o desfile de bonés do Lula de outrora. Tenho curiosidade de saber como essa notícia repercutiu em países católicos como a Espanha, onde sequer se trocam presentes no Natal, senão em 6 de janeiro, dia dos Reis, uma data bem mais fiel e coerente com a história que conhecemos do J.C.
Que será que o Papa queria com aquele gorro encarnado? Será popularidade? Será aceitação? Será provocar alguma identidade para que todos acreditemos que ele é um "bom velhinho"? E agora? Devem os católicos passar a meia-noite celebrando a missa do galo ou à espera de um Papai Noel de saco cheio?
Aliás, de saco cheio fico eu. O espírito natalino cada vez mais parece que foi mesmo para o saco, com expressões raras de solidariedade e afeto ao próximo. Talvez nem se ouvisse falar mais delas se não estivesse em voga no mundo empresarial algo chamado Marketing Social. Sai a compaixão entra o materialismo. Empurra-empurra nos shoppings. Quebra-pau e bombas na 25 de março. Crianças demandando presentes mais e mais caros já sem aquela mesma inocência que eu tinha de acreditar em Papai Noel.
Ah! Ia esquecendo. Na minha época Papai Noel só visitava quem tivesse se comportado durante o ano. Sido um bom menino. Quem será que Bento XVI considera um "bom menino"? Será que é a turma dos que são contra a camisinha? Nesse caso, Bush merece ganhar presente?
Sob essa ótica desejo sinceramente que muita gente fique chupando o dedo nesse Natal. De touca em touca prefiro engrossar o coro da Daniela Mercury e incentivar o uso daquela que é muito mais que um adorno, mas um santo remédio para outras cabeças.
Feliz Natal!

dezembro 12, 2005

Kitsch

Tive um desejo kitsch* nesse fim de semana. Walter Benjamin e outros tantos teóricos da Escola de Frankfurt devem ter se revirado na cova com minha infame heresia de desejar, com tamanha voracidade, captar a “aura” daquela obra de arte.

Sim! A verdade é que consegui inclusive visualizar aquela tela pintada com tinta automotiva, emoldurada e plena sobre uma bela cama de casal. Quero uma cópia. Quero sim, e muito. Esse seria o quadro perfeito para decorar meu futuro ninho de amor.

Estava entre as 110 obras da exposição Erotica – os sentidos na arte, que finalmente consegui visitar. Não atendeu muito as minhas expectativas. Confesso que esperava mais dela, embora o pouco que realmente gostei, como diria Bob Jeff “provocou os meus instintos mais primitivos”. Verdade! Encantei-me imensamente com essa peça. Tal foi minha atração por ela que nem lembrei de gravar o nome da obra e do artista plástico que a produziu (mas isso eu resolvo ligando para a curadoria).

Era linda. Era moderna. Era uma verdadeira mimese plástica do sexo. Um casal entrelaçado em preto e branco. Na vertical. Erótico, sem ser pornográfico,como as narrativas sutis de Josué Guimarães. Maravilhoso!Como é provável que eu não consiga sucumbir à arte ao meu vão e consumista desejo de ter uma cópia só para mim, aconselho aos curiosos que visitem a exposição até o dia 8 de janeiro de 2006, no CCBB (São Paulo) enquanto há tempo de contemplá-la.

*Kitsch: Expressão muito usada pela estética da arte. “Arte baixa”, vulgar ou “kitsch” denota geralmente a estética da burguesia ou se refere especificamente aos artefatos decorativos ou funcionais de produção de massa da cultura popular. Muitas vezes, se refere a apropriações de obras de arte convertidas em produtos produzidos em série, como uma estampa de Monalisa numa camiseta, por exemplo.

novembro 29, 2005

Depois da bunda dura, vem aí a bunda quadrada


Estou ficando com a bunda quadrada. É verdade! São tantas as horas sentada nessa cadeira em frente ao computador que sinto como se toda a voluptosidade de repente ficasse plana. E a idéia de bunda quadrada por mais metafórica que possa parecer me apavora.

Odiava a bunda chata da minha vó. Lembro que realmente sentia repulso por aquela imagem e ainda temo que um dia a genética me castigue por tão cruel julgamento. Mas era feia. Feia mesmo! Não sei como ela moldou (se é que dá pra chamar assim) a dela. Talvez seja realmente um traço da família, que graças a Deus não herdei e acabei puxando a turma da minha mãe nesse quesito.

É estranho como fui recordar nesse momento desse quase trauma de infância: a visão da bunda da minha vó. Não herdei o formato por ela, mas será que a minha realmente é passível de ser "enquadrada" pelos hábitos contemporâneos? Não sei, não quero nem cogitar essa hipótese, afinal bunda é um dos principais atributos da brasileira, produto tipo exportação, um dos motivos que atraem os turistas para as praias do país. Seria quase como perder a identidade.

Falando nisso, dizem que alguns homens reconhecem as mulheres pela bunda. Do tipo que olha para a cara da infeliz e nem faz idéia. Tão logo ela dá as costas lembra até do dia e ano que viu aquela bunda passar! Que horror! Mas fazer o que, não é? Aliás, se algum homem com esse tipo de cognição ler isso, por favor, disserte a respeito. Tenho muita curiosidade sobre o tema.

Estava revendo uns e-mails antigos outro dia e encontrei o texto da Bunda Dura, do Arnaldo Jabor, lembram? Um que ele defende uma tese que a mulher que tem bunda dura é uma chata que só se preocupa em malhar e comer alface, fútil, e que jamais vai saber apreciar um convite para tomar um bom chopp. Ele conclui valorizando a bunda que mesmo com celulite ou algumas gordurinhas é companheira. Fico pensando, e a bunda quadrada? Como entraria nessa história?

Se a bunda dura for signo de futilidade e a celulitosa, de companheirismo, poderia ser a bunda quadrada uma futura indicação de uma mulher trabalhadora? Uma marca do afinco com que passa horas dedicando-se a labuta nos computadores? Uma bunda workaholic? É de se pensar. Pelo sim, pelo não, acho melhor reduzir minha jornada de trabalho sentada. Ou arrumar uma almofada. Ou sugerir aos fabricantes de cadeiras de escritório que façam umas mais anatômicas. Por motivo de força maior. Pela preservação do patrimônio nacional! (Hahahah...)

novembro 07, 2005

Curtinha

"É mais fácil seduzir alguém que já está com as calças arriadas.
Anuncie no banheiro."

Adorei!!!

novembro 03, 2005

The survival tales of a beautiful girl saying "no, I´m not a bitch" *


Aconteceu quando menos esperava. Era primeiro de novembro, véspera de feriado. Ia à casa de uma amiga no centro de São Paulo para de lá cairmos na boemia, iríamos juntas a um aniversário na Vila Madalena.

Sequer estava preparada para sair à noite naquele dia. Foi decisão de última hora. Recém tinha saído da aula de espanhol e perambulava pela Av. Paulista lá pelas nove da noite, com minha pastinha na mão e sem um crédito no celular. Mesmo assim conseguimos combinar por telefone nossa saída.

Pegaria um ônibus e encontraria com ela ao lado do prédio da Folha, na Barão de Limeira com a Duque de Caxias. Essa era a referência, aliás. Pedi ao cobrador para me avisar, afinal, fazia tempo que não andava de ônibus por aquelas bandas, ainda mais à noite, nessa cidade que insiste em me causar essa sensação de estranheza eterna.

“É a próxima!” – disse o cobrador. Juntei minhas tralhas e desci. Foi aí que então um táxi parou perto de mim, bem no momento em que cruzava a esquina combinada. Buzinou, nem dei bola. Insistiu e daí percebi do que se tratava. Havia um homem no banco do carona. Parecia meio arisco, olhava para todos os lados atento a movimentação do local. Tive certeza que estava no lugar errado na hora errada, mas para minha sorte havia algumas pessoas por perto, não estava num ambiente completamente deserto.

Para meu espanto gritou: “Tá sozinha? Entra aí, eu pago bem.” Não acreditei. Acelerei o passo e logo os perdi de vista. Como podia? Ainda se estivesse com uma minissaia ou com um decote como de costume, mas não. Vestia uma calça preta até o tornozelo e terninho branco. Tava mais para Barbie executiva do que puta de beco. Sequer um esmalte encarnado. Não entendi, mas deu medo. Mais medo que do mendigo de outro dia.

Só pode ter sido a mais pura proposta indecente. Tô longe da Demi Moore, mas não posso ter sido confundida, no way! Não naquele dia. Não daquele jeito. Ou era mesmo desespero do cara, uma abordagem aleatória, porque o naipe das primas por lá não é dos melhores. A primeira com todos os dentes na boca que viu, pimba! É essa!

Que medo, que medo mesmo. Sozinha na esquina nunca mais!
* Título sugerido pelo amigo Pase, quando ouviu os relatos desse fatídico episódio.

outubro 27, 2005

Em busca do pecado original


Fiquei incumbida de descobrir a origem do pecado. Garimpar a história da maçã e toda a simbologia agregada nela. Não, não tenho a menor intenção de acabar com o mal pela raiz. Aliás, tô mais para adepta do que para censurar. É pura necessidade acadêmica mesmo, somada a um pouco de curiosidade também.

Por ora, pouco sei além de Adão e Eva, mas vá lá. Logo, logo vou estar expert no assunto. Em homenagem ao tema aí vai uma letra do Raul que adoro e tem tudo a ver com o assunto. By the way, por que as pessoas teimam em achar que são donas umas das outras? Como já dizia Raulzito “o amor só dura em liberdade...” vale a pena pensar.



A maçã

Se esse amor ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor, vai se gastar
Se eu te amo e tu me amas
E um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais
Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa no altar
Quando eu te escolhi para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma, ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi que além de dois existem mais
O amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar

outubro 26, 2005

Pornô pra mendigo ver

São Paulo se auto-intitula capital de uma série de coisas, entre elas do entretenimento. E não é que é mesmo? Tá me convencendo. Além dos inúmeros teatros, cinemas, restaurantes, casas noturnas para todas as tribos e claro, das vaquinhas simpáticas do Cow Parade espalhadas pela cidade, São Paulo parece não se esquecer de entreter também seus moradores de rua. Isso que é qualidade de vida!

Ontem, caminhava pela Av.Paulista umas 21 horas. Noite quente, sossegada. A butecada de elite lotada de universitários e engravatados curtindo um chopps (heheh), para aliviar o calor. Vi uma muvuca em frente ao Masp, palco de protestos e feirinhas por aqui.

Era só um telão. Estavam projetando filmes italianos com legenda e a mendigada curtindo em volta. Acho que pouco entendiam, mas sacanagem é igual em qualquer língua. O pessoal tava animado com a putaria que rolava no telão. Um absurdo. Talvez fossem só aquelas cenas no momento que eu passava por ali, mas muito fácil de causar constrangimentos. Dá medo ver mendigo com a mão no bolso te olhando meu estranho heheh

Não lembro de que diretor eram os filmes. Até procurei no guia de programação, mas não achei. Vou ficar devendo essa informação, mas mesmo assim, não podia deixar de compartilhar esse momento. Será que São Paulo também quer levar o título de capital da sacanagem? Não sei, mas de maior Parada Gay já conseguiu hahahah É a fonte nêga! E putaria mesmo acontece em Brasília, concorrente forte. Onde todo mundo "fode" com todo mundo.

Falando nisso, tem duas coisas nessa linha que quero ver. Uma é a exposição Erotica - Os sentidos na arte que mostra mais de 150 peças que abordam o erotismo em períodos distintos. Coisa fina. Outra é a peça Filosofia na Alcova, do grupo Satyros, baseada em contos do Marquês de Sade, na qual dois depravados tentam pervertir uma virgem. Super bem aceita pela crítica (com três estrelinhas) e passa à meia-noite, muito bom!

Para quem tiver por Sampa afim de saber mais tem sites que falam dos dois: http://www.cultura-e.com.br/ e http://www.satyros.com.br/ Vou ficando por aqui. Se encontrar outras indícios da candidatura paulistana, eu aviso, ok?
Foto: Masp - Museu de Arte de São Paulo, de Luiz Prado. Tirada do site da Prefeitura de São Paulo

outubro 24, 2005

Como repartimos os amigos?

Ouvia outro dia um cd espanhol, meio tosco, meu sertanejo (do tipo que Wanessa Camargo gravaria uma versão), mas com uma ou outra música interessante. Era de uma dupla. Marta & Marilia (fala sério? Que meeedo desse nome!), e uma das canções dizia assim: “Nada es tuyo, nada es mio,¿cómo repartimos los amigos? ¿Cómo repartimos los recuerdos de este amor...?”

Tudo bem. É meio dor de cotovelo também, mas foi a primeira vez que ouvi uma música que se lembrasse dos amigos em uma separação. Êta situaçãozinha corrente e complicada! Afinal amizade é tema que rende propaganda da Mastercard. “Não tem preço!” Inclusive alguns amigos oriundos do lado de lá.


Claro que a banda toca conforme as circunstâncias do fim, mas vez ou outra dá um prejuízo danado. Nosso “saldo” de amigos pode ficar mais negativo que risco-Brasil por conta de evitar desconfortantes reencontros. Quando não é o contrário e os laços continuam, dando lá no fundo aquela dolorosa sensação de traição ao ter amigos saqueados pelo nosso ex-bem-querer.

Nesse quesito, pelo menos, não posso reclamar. Sempre tive amigas fiéis do meu lado, que por livre e espontânea vontade só mantiveram contato com aqueles que eu também continuei com uma amizade saudável. Mas deve ser muito ruim se fosse em outra
situação. Não sei se lidaria bem com isso se fossem amigas de alguém com quem tive um final caótico. Se fosse traída, mal tratada, desprezada ou levasse um belíssimo pé na bunda, sei lá, seriam outros quinhentos.

Fico pensando. Será que é legal ser amiga dos amigos do ex? Não pode parecer sacanagem, às vezes? Mantive certa distância por um tempo, mas sempre tive meus queridinhos remanescentes de amigos em comum e vivi na pele essa dúvida cruel. Na verdade ainda não tenho uma resolução, mas o fato é que agora estou com os amigos. Goste ou não goste, nem imagino a opinião, que sinceramente espero que seja nula, indiferente.

E a música seguia dizendo:
“Una historia siempre tiene dos finales. El tuyo y el mío. No recuerdo cuántos daños cerebrales causamos los dos (...). Ahora está claro, cada uno por su lado, pero de que lado estoy...”

Como fica o lado dos amigos então? E quando a turma não era agregada e sempre foi a mesma? Também já fui amiga de casal e é duro, principalmente no começo, manter a fidelidade de amiga inabalável numa situação dessas. Um sempre vai perguntar algo que não deveria ser dito, mas que a omissão pode ser entendida como deslealdade. É duro, é duro!

Por ora, sigo feliz com os amigos sobreviventes dessa injusta partilha. “Se nada es tuyo, nada es mío..."


Foto: Capa do cd de Marta & Marilia