Balaio S/A
abril 05, 2013
Insônia
Por que tem que ser tão difícil? Por que não podia simplesmente só ser bom enquanto dure? Por que tirar a graça e a leveza do que deveria agregar, ser divertido? Mas não. Tem que ter serás, tem que ter agonia, e o mais severo dos castigos - o silêncio - que tudo diz e nada diz ao mesmo tempo, que dói porque parece indiferença... outra vez insônia! Idiota!
E assim avançam as horas numa tortura arrastada dessa briga por cerrar os olhos já úmidos e deixar a mente e coração tranquilo. Mais um fracasso! Tic,tac, tic, tac...
julho 31, 2012
Ela merece! Ela merece?
Já invejei as Marias e as Carolinas, confesso. Que tão especiais foram mulheres com esses nomes para ganharem tantas músicas em suas homenagens? Ok, vou deixar Ave Maria de fora dessa. É justo, ela merece.
Mas e as outras histórias? O que elas fizeram de diferente que as tornou tão especiais? Que homens tão apaixonados foram esses para eternizarem suas amadas num hit?
Eu gostaria de ser eternizada em um hit. Numa letra bonita de verdade, sabe? Não como no reggae do Armandinho que diz “Eu conheci Paulinha numa noite de verão e um bumbo do meu reggae fez tum-tum no coração”. Parece que não se pode confiar muito num compositor que fuma folha de bananeira e acha que deus sai por aí, namorando e desenhando pessoas.
O que fez a Carla? A Ana Júlia, a Camila, a Milla? A Rita? Ah, a Rita! Essa lembro que levou o sorriso, o assunto, os 20 anos e o disco do Noel de Chico! Devastadora essa Rita. Mas também haveria de ter razão, afinal teve que dividi-lo com Ana, Angélica, Cecília, Iolanda, Luisa, as mulheres de Atenas e até a Geni! E uma Maria e uma Carolina, é claro! Nenhuma Paula.
Será que as Paulas não foram grandes mulheres para receberem essas homenagens? Será que nenhuma Paula nunca foi tão amada assim? Talvez apenas Paula não rime com muita coisa.
Só espero que um dia as Paulas encontrem um final feliz, um verso digno, diferente da Renata ingrata, da Juliana que não quer sambar e da Heloísa, que pelo-amor-de-deus, ninguém merece o Vini pedindo pra mexer a cadeira no meio da sala!
Peraí, lembrei de mais uma crueldade com o meu nome: “Festa da Paula, é pau lá dentro, é pau lá fora...”. Oh senhor, será que ainda há esperança?
dezembro 17, 2011
De onde menos se imagina
Recebi ontem talvez o cartão mais fofo de Natal de todos os tempos. Era um cartão personalizado, com o nome do remetente impresso nele e dizia assim: “A Terra já tem 7 bilhões de pessoas. Porém, poucas são especiais como você. Que 2012 seja à sua altura”.Lindo e sucinto.
O mais impressionante de tudo é que recebi esse cartão pelos correios, que poucas pessoas hoje em dia ainda usam, na minha casa, e de quem eu menos podia esperar. Um amigo que poderia ficar mais naquela turma que classificamos apenas como conhecidos, que outras vezes já me surpreendeu com esse tipo de lembrança carinhosa e se dispôs a me estender à mão quando eu mais precisei também, apesar de não ser uma pessoa tão próxima.
Ainda me surpreendo e valorizo esse carinho gratuito que vem de quem a gente menos imagina. Acho que ele consegue ser mais especial. Não da família, não dos amigos mais próximos, mas de alguém, que por alguma razão, vai com a nossa cara e nos quer bem, simplesmente, sem pedir nada em troca.
Já não é a primeira vez que essas pessoas incríveis cruzam meu caminho. Já fui indicada para vagas de emprego por uma concorrente que nem me conhecia e também por uma ex-colega de pós-graduação com quem eu mal falava. Já recebi uma centena de cartas, lembrancinhas e votos de carinho e amizade até de um amigo que nunca conheci pessoalmente ao longo de 12 anos, do outro lado do mundo, e que jamais se esquece de mim, por mais irrelevante que essa amizade - que eu só comecei por um exercício de cursinho de inglês - pudesse ser.
Isso me fez pensar. Será que estamos dando atenção às pessoas certas? Será que são apenas anjinhos essas pessoas com papéis tão coadjuvantes em nossas vidas e que de vez em quando roubam a cena com essas pequenas e grandes surpresas? Será que elas existem só para nos mostrar que apesar de tanto egoísmo no mundo há ainda gente altruísta capaz de nos fazer o bem assim? Ou simplesmente para nos lembrar que podemos quem sabe ser melhores com os que amamos. Se até quem pouco nos conhece consegue, por que deveria ser difícil?
dezembro 03, 2011
Coisas boas devem ser mantidas
Hoje, além da vontade, li pela primeira vez o novo blog da minha grande amiga Andreza, minha melhor amiga de faculdade que hoje vive na Alemanha e deixa muita saudade. É, não deu pra resistir. É incrível como alguns poucos textos, falando de cotidiano, fazendo reflexões da vida, encurtam distâncias e nos fazem pensar melhor sobre a nossa própria condição.
Quer melhor razão pra voltar? Em poucos minutos lembrei de coisas que realmente importam, decidi retomar outros velhos e bons hábitos, me dei conta novamente (e que nunca é demais) que perder tempo com preocupações tolas só nos afastam das coisas que valem a pena.
Planos, sonhos, amizades, coisas que nos fazem bem, devem ser mantidos, mesmo que por alguma razão tenhamos passado tempo demais longe deles.
abril 15, 2011
Cutuca aqui, cutuca acolá
Nunca entendi esse recurso de cutucar as pessoas no Facebook. Sério, para que serve isso? Era para ser algum meio de chamar a atenção? Seria isso uma espécie de paquera nerd?
Imagine a cena. A galera saindo por aí, paquerando aos cutucões. Com os dedinhos nervoso nas noitadas mundo afora. Surreal!
Você lá, no barzinho ou na balada, de repente avista alguém interessante, chega junto e dá um cutuco no indivíduo. E se ele te der um cutuco de volta? Significa que o interesse é recíproco?
Na vida real, quando é que você cutuca alguém? Eu não lembro de feito muito disso, mas acho que só usei para chamar a atenção de quem tinha muita intimidade, uma irmã, uma amiga, geralmente como uma variação de um puxão de orelha, um chute na canela ou qualquer coisa que o valha para ver se a pessoa se toca que estava dando mancada.
E se for isso? Com que direito estranhos que não tem intimidade alguma acham que podem sair por aí chamando a atenção de quem bem entendem, hein? Hein??
Cutucões podem ser muito irritantes. Podem ser uma maneira de provocar o outro. A ira do outro mais especificamente.
Já cutuquei para pedir informação também, é verdade. Mas aí ao invés de cutucar de volta, não deveria ter algum campo para preencher, algo do tipo “Posso ajudá-lo?”
Dúvida para Glorinha Kalil: É falta de educação não cutucar de volta? O que diz a etiqueta de boas maneiras virtuais?
Pelo sim, pelo não, me perdoem os cutuquentos, mas vou continuar removendo seus dedinhos por aqui.
abril 14, 2011
Instante
Aqui nesta cama, palco de luxuria e leito de momentos de enfermidade. Aqui mesmo, sobre esse travesseiro, onde tantas vezes derramei lágrimas e apoiei minha cabeça cansada, inquieta, ansiosa.
Neste mesmo cenário percebo a mente vagar e de repente te encontro num pensamento, num desejo, numa lembrança.
Sem querer visto um sorriso na cara e me entrego ao simples gozo desse instante de felicidade.
setembro 24, 2009
Mentiras sinceras me interessam
Ok, mulherada, admitam. Nós gostamos de ser enganadas. E antes de ficarem indignadas e desejarem minha cabeça pensem um pouco comigo.
A raça humana já tentou criar diversas linguagens comuns, mas poucas parecem tão universais como as mentiras que os homens contam. É incrível como elas se parecem em vários idiomas, é algo mais evoluído que o próprio Esperanto!
Se os homens se empenhassem tanto em desenvolver um idioma universal, como são eficientes em padronizar as desculpas e cantadas esfarrapadas, o mundo já estaria falando a mesma língua há séculos!
E sim, nós, mulheres, conhecemos esse código também. Tudo bem que na hora de falar somos tão fluentes quando um brasileiro arranhando no portunhol, mas o fato de que somos peritas em ler e ouvir essas barbaridades, isso, ah! Ninguém pode tirar da gente.
O detalhe ainda mais surpreendente é que apesar de sermos capazes de enumerar de cor e salteado a lista das mentiras que mais ouvimos na vida, sim... nós continuamos acreditando nelas! E por que isso? Pura estupidez?
Convenhamos, nós não somos burras e muitos homens sabem bem disso (os que não sabem é porque tem o ego tão grande que acreditam realmente que você caiu como patinho só porque ele é muito bom nisso rsrsrs).
Mas se não somos burras e sabemos que eles mentem mesmo, só resta uma segunda alternativa: nós gostamos de ser enganadas! E se não gostamos estamos, no mínimo, emitindo os sinais errados e causando um péssimo ruído de comunicação entre os sexos.
Em última instância, poderíamos inclusive chegar à conclusão de que se os homens mentem, é apenas para nos fazer feliz.
O que não deixa de ser uma verdade. Ou alguém aqui já achou um horror ouvir coisas como "você é mulher da minha vida", "não sei mais viver sem você", "passei a noite toda trabalhando", "putz, acabou a bateria do meu celular", "você tem razão, meu amor", "eu te amo", "vou pedir o divórcio, dessa vez é pra valer!", e por aí vai.
Sim, nós gostamos! E sabe qual é a parte da mentira que os homens contam que mais incomoda? Pois é justamente quando ela acaba!
Quando ao invés de dizer que você fica linda de qualquer jeito, ele sugere onde poderia melhorar. Quando ao invés de te tranquilizar que no jantar de negócios só tem um bando de machos, ele conta que também está presente aquela executiva gostosinha, com cara de biscate, que você não suporta. Quando ele confessa que “tecnicamente” ele não pode ser dizer “solteiro”. Pronto, nosso castelinho de areia vem abaixo!
Como já dizia Mário Quintana, "a mentira é a verdade que esqueceu de acontecer". E muitas vezes nós deixamos ela lá, sendo dita na maior cara de pau, porque no fundo desejamos que seja assim.
Mentir pode ser um gesto de amor, um impulso quase altruísta de proteger a quem se quer bem - seja o outro, ou a si mesmo, porque não?
A verdade pode doer, e infelizmente não costuma ter o mesmo poder de nos fazer sentir tão especiais quanto tem a mentira. A começar pela vantagem de que nela existe uma infinidade de possibilidades para serem exploradas, enquanto a verdade é uma só. Vamos lá, não minta para si mesma, é ou não é verdade?
E antes que alguma desesperada corra para cortar os pulsos, se culpando pela mentiras que ouviu por toda uma vida, cabe alertar que nós não estamos sozinhas nessa.
Os homens também gostam de ouvir algumas mentirinhas. Às vezes precisam delas até mais do que nós e, acreditem, um homem que recebe um bom carinho no ego tem lá suas recompensas.
Se dizem que nós fazemos para o outro, muito do que queremos que façam para nós mesmos, o hábito masculino de mentir, de certa forma, não deixa de ser uma maneira deles nos sinalizarem aquilo que também querem receber em troca. O que falta, para algumas de nós nesse quesito, é apenas prática.
E então, o que estão esperando? Façam ainda hoje um homem feliz! Um elogio sincero ou uma mentira bem intencionada - de vez em quando - não faz mal a ninguém.
agosto 23, 2009
Admite-se
A reclamação feminina é de praxe. “Os melhores já têm dona.” - dizem por aí. E não é à toa que a mulherada hoje em dia já não respeita mais os relacionamentos alheios. Existe um mercado de especulação incrível nessa área justamente por se acreditar nessa máxima: os bons já estão acompanhados.
Não é uma regra, mas uma ideia difícil de ser quebrada. É como no mercado de trabalho. Profissional bom não é o que procura por emprego, mas aquele que já está empregado. As aparências enganam e a cobiça fomenta a oferta!
Conheço homens que fazem questão de estarem sempre namorando para não desvalorizar o passe, ainda que não gostem, ainda que a pessoa ao lado não valha a pena.
Estava aqui falando com um recém solteiro, que há três semanas terminou um namoro de quatro anos. Bem apessoado o moço até. E fiquei pensando. Porque não existem anúncios para isso? Algo como os tijolinhos de imóveis nos jornais. Já que os melhores têm dona, deveríamos ser avisadas tão pronto desocupassem a vaga, não é mesmo?
Imagine algo assim:
OPORTUNIDADE ÚNICA!!!
Recém desocupado, 30 anos, 1,90m, bem empregado. Perdizes, ótima localização! Único dono.
Não seria ótimo? O Facebook e agora o Orkut também vêm se esforçando para cumprir esse papel. “Fulano não está mais em um relacionamento sério”, informa ao lado de um coração partido a pequena revista eletrônica de fofocas da maior rede social do mundo.
No Orkut é preciso autorizar que as atualizações sejam reportadas para os amigos. Ainda sem esse recurso ativado, eu mesma passei pela experiência de ver chover gente na minha horta assim que o status “namorando” saiu do perfil.
É incrível! As pessoas estão realmente carentes e à procura de alguém especial. Duro é encontrar. Duro é ser compatível. Talvez com uma dinâmica de grupo? Onde não há respostas certas, existe apenas um perfil desejado. Ou uma carta de recomendação? Seria um bom termômetro saber quantos ex eram capazes de recomendar a pessoa em questão. Você pediu demissão ou foi demitido? Foi você quem terminou ou foi o outro?
Homens e mulheres reclamam que está difícil namorar hoje. Eu acho que namorar está até fácil. Afinal, carne de vaca tem aos montes. Profissionais medíocres, que fazem picuinha, não se atualizam e tentam puxar o tapete de quem está bem. Homens desatentos, relaxados, mulherengos, folgados, pés-rapados. O mesmo serve para mulheres. Feias, ignorantes, descuidadas, vulgares, dependentes, folgadas, sem prendas, e por aí vai.
Assim como no mercado de trabalho, não faltam vagas, mas sim candidatos qualificados para preenchê-las. E tem outra, será que você está em condições de exigir alguma coisa?
Ofereça pouco e virão candidatos com poucos predicados responder a sua vaga. Tudo bem que quando a oferta é boa virão candidatos de todo o tipo, mas a chance de atrair alguém com o perfil de acordo é bem maior, basta separar o joio do trigo, e ficar com o trigo! Ao contrário das opções erradas que costumamos fazer.
Os bons não são necessariamente os que já tem dona, assim como não significa que os melhores profissionais são aqueles que já estão bem empregados. Tem muita gente boa penando atrás de uma oportunidade aí fora, e muita gente ruim ocupando vagas porque alguém ofereceu muito pouco, exigiu muito pouco e empregou o primeiro que viu.
Você quer qualquer um ocupando sua vaga? Você pagaria mais por um profissional medíocre apenas por que ele já estava empregado em outra empresa? Não? Então pense muito bem antes de partir nesse garimpo.
E já que o clima é de seleção, para encerrar o assunto aí vai o questionário padrão a ser feito antes de começar a sair com alguém, recomendado pela minha desenhista de tirinhas favorita, Maitena.
Perguntas que seria conveniente fazer a um cara antes de começar um caso com ele:
1) Estado civil........................Por quê?
2) Trabalha? Gosta?
3) Onde vive e com quem?
4) Bebe?
( ) Sim
( ) Não
O quê?
Quanto?
Quando?
5)Tem amigos?
( ) Menos de um
( ) Alguns
( ) Mais de 400
6) É conversador?
( ) Muito
( ) Pouco
( ) Nada
( ) Não responde
7) É carinhoso?
( ) O tempo todo
( ) Às vezes
( ) Nunca
( ) Nem pensar
8) É psicanalizado?
( ) Sim
( ) Não
( ) Vai começar logo
( ) Nem com um revólver na cabeça
9) Se cuida com relação a
( ) Peso
( ) Sexo
( ) Outros
10) Tem irmãs?
( ) Sim
( ) Não
11) E cachorro?
( ) Sim
( ) Não
12) Tem habilidade manual?
( ) Consertos domésticos
( ) Inclinações artísticas
( ) Outras
( ) Nenhuma
13) Gosta de futebol?
( ) Sim
( ) Não
14) E de dançar?
( ) Sim
( ) Não
15) É acusado de alguma dessas coisas?
( ) Pão-duro
( ) Chato
( ) Babão
( ) Egoísta
( ) Ordinário
( ) Covarde
( ) Machista
( ) Psicopata
( ) Porco
( ) Desajeitado
agosto 20, 2009
fevereiro 25, 2009
Ponto final
Por fim, a confortável ignorância de não ter jamais a certeza que não era a única em sua vida acabara no exato momento em que o viu cruzar aquela porta, de mãos dadas com outra mulher.
Sentiu um frio na barriga e em seguida respirou fundo, cogitando qual era a chance daquela companhia feminina não passar de uma amiga, uma prima, quem sabe uma irmã desconhecida. Mas irmãos não se beijam assim.
Era isso mesmo. Ele estava ali, e estava com outra. Tinha feito o que ela mesma não teve coragem com o receio de machucar seus sentimentos, esfregando-lhe na cara a presença de outro homem.
Arrependeu-se na hora de ter proibido seu mais novo amante de acompanhá-la. Inventara uma desculpa qualquer. Queria evitar causar o desconforto que se via refém naquele momento.
Buscou acolhida num copo de cerveja. Beberia e beberia mais, a letargia alcoólica lhe faria companhia naquela noite.
Aquela cena dava solidez ao sentido de certa palavra que ela mesma havia jogado no ar: “acabou”. Olhou para os dois mais uma vez, agora sem qualquer rancor, e sentiu-se aliviada.
Havia sobrevivido à verdade sem grandes arranhões e podia seguir adiante, sabendo que algumas certezas, afinal, não lhe fariam tanto mal assim.
janeiro 08, 2009
E você? Plantou direitinho?
Hum, mais um ano começa. O clichezão de renovar as esperanças também. Não vou entrar nesse mérito, mas ouvi algo que me deixou um pouco intrigada nessa virada de ano, algo que soou com um tom de juízo final.
“2009 será um ano de colher o que se plantou – para o bem e para o mal” – sentenciou minha mãe. E vocês sabem, mãe fala muita bobagem, mas não dá pra desprezar o que elas dizem, apesar disso.
Cheia das superstições e superligada no universo da astrologia (e outras “ias” nessa linha), não sei direito a origem dessa previsão, mas foi inevitável não voltar no tempo e me sentir novamente naquela dúvida prenatalina se tinha sido uma boa menina naquele ano, nos tempos em que eu ainda acreditava em papai Noel.
Afinal, o que eu tinha plantado nesses últimos anos? Será que estariam neles semeadas as sementes do que eu realmente esperava colher em 2009? Pra começo de conversa só essa analogia com plantação já me assusta, até porque não lembro de ter plantado algo que vingou além do clássico feijão no algodão. Será que apesar de usar as sementes certas eu teria a mão podre pra esse tipo de cultivo também?
Comecei a rever minhas atitudes, decisões, metas. O quanto tinha me esforçado (ou não) durante esses anos e cada vez mais dúvidas surgiam.
Será que ter passado um ano comportada como uma boa moça me daria o direito de meter o pé na jaca sem culpa em 2009? Será que o profissionalismo me daria uma promoção? As economias me permitiriam sair aí pelo mundo investindo em experiências? Será que a minha intolerância para certas coisas e a língua afiada se voltariam contra mim? Ou será que por mais merecido que tudo isso fosse, o que for feito também nesse ano se somaria a uma espécie de karma fatalista que ditaria o rumo das minhas próximas colheitas. Difícil dizer.
Enquanto descansava no sofá de uma casa alugada de praia, com esse emaranhado de ideias se embolando ainda mais na minha cabeça, recebo do nada um abraço afetuoso da minha irmãzinha, com a sinceridade que só os braços de uma criança são capazes de expressar. Dali em diante eu soube - 2009 seria um ano bom.
novembro 26, 2008
Ajudem Santa Catarina!
Galera, aquele pedacinho do paraíso chamado Santa Catarina está debaixo d´água, com uma série de famílias humildes precisando de ajuda. Conheço bem o Estado e sei que além da gravidade da situação as pessoas lá realmente não tem condições de se reerguerem sozinhas. Quem quiser ajudar pode fazer doações de qualquer quantia em uma das contas abertas pela Defesa Civil. Ajudem!!!
Segue o link: http://www.defesacivil.sc.gov.br/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1
novembro 19, 2008
Abaixo o Eu te amo
Desconfio de quem diz “eu te amo” muito fácil, rápido. Nunca levei muita fé nisso. Parece-me impulsivo e pouco verdadeiro.
Acredito que quando a gente ama de verdade essas palavras vem naturalmente em algum momento, assim, sem pressa. E saem fluidas, sem tropeço, tão certas de si que nem precisariam realmente ser ditas. Falamos simplesmente porque elas já não cabem mais dentro da gente. Transbordam e saltam para fora.
Ouvir um Eu te amo é algo que nunca fiz questão por essa razão.As palavras são descartáveis. Não se bastam por si só para que façam algum sentido, e quando fazem, são redundâncias.
Sabe o que me comove? Coisas simples que falam muito mais, alheias a nossa vontade. É aquele brilho no olhar que nos sorri, como se dissesse “Eu estou tão feliz de estar aqui com você”, completamente fora do nosso controle.
O beijo na cabeça. Aquele beijo na cabeça, às vezes na testa, que surge de repente, tão desprovido de sexualidade e ao mesmo tempo tão cheio de afeto.
O jeito de dormir abraçado meio torto, que ambos sabem que está desconfortável, mas que tem uma razão de ser, que é a vontade de se mostrar de alguma forma que está ali, que se importa e não quer desgrudar de quem se gosta por nada.
O cafuné, o abraço longo e apertado, a vontade de falar qualquer coisa tola só pra ouvir a voz.
Há formas verbais também de se dizer que se gosta sem dizer "eu te amo". Quando de repente a gente se vê cúmplice, trocando segredos. Quando vem aquela preocupação e a gente só sossega quando tem certeza de que a pessoa está bem.
O que dizer das vezes em que bate um impulso incontrolável de partilhar uma boa notícia das nossas vidas com o outro tão logo ela é recebida, ou ainda quando se permite ser frágil para confessar que as coisas não vão muito bem.
Pode ser que nada disso seja amor, mas das diversas formas de amar, acho que estão diluídas aí, nessas pequenas grandes coisas, a tradução do que realmente importa. Se isso houver, digo e repito. Nem é preciso dizer "eu te amo". Eu, pelo menos, não faço a menor questão.
novembro 13, 2008
Os melões
Quarta-feira, 18h30. Chuva torrencial em São Paulo e uma sacola pesada de feira pra levar pra casa. Olho pra ela, olho para o guarda-chuva. Precisaria de muito malabarismo para carregar aquilo tudo e ainda me equilibrar num saltinho escorregadio de 10 cm.
As frutas podem esperar - pensei. Deixo a sacola sob a mesa e vou embora. Cinco minutos depois toca o telefone:
- Paula Pereira, você esqueceu seus melões na redação.
- Sim, sim. E uma penca de bananas, eu sei. Foi de propósito.
novembro 11, 2008
Cenas de bar
Duas mulheres num balcão de bar. Drinks à mão, risadas à revelia. Aquela encenação de vulnerabilidade proposital que é um convite à artilharia masculina. E como tal funcionou.
Sem pensar duas vezes, um rapaz se aproxima. Bonito, alto, porte atlético. Tinha tudo para se dar muito bem naquela noite.
Interrompe a conversa das amigas e pergunta:
- O fio dental. Vocês passam antes ou depois de escovar os dentes?
Boquiabertas, encaram o aventureiro por alguns segundos, dão as costas e se entreolham mais uma vez antes de tomar mais um gole do que bebem.
Era fato. Que bela oportunidade perdida de ficar calado!