julho 24, 2006

Corazón

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O espanhol é mesmo uma delícia. Meu primo acaba de voltar de uma temporada em Barcelona e me trouxe castanholas. No manual (acreditem, veio com manual em cinco idiomas!) explicava como tocar aquele negócio com o nome de cada dedo. Difícil pra caramba!

Sabem o que descobri? Aquele dedo simpático com o qual mandamos o povo se foder se chama “corazón” em espanhol. Não é lindo?

julho 23, 2006

Faça o que eu digo, não faça o que eu faço

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Estive no Mc Donald´s essa semana e pra variar li aquela toalhinha de papel que eles põem na bandeja (que graças a Deus não era mais a da Copa).

Gostei da toalhinha. Politicamente correta, com 52 dicas de “Como salvar o mundo fazendo coisas simples”. Bem, algumas nem tão simples, outras imbecis, mas tinha umas úteis. O que mais me chamou a atenção foi as que incentivavam a não consumir produtos de fabricantes que não estavam alinhados a políticas ambientais.

A última ainda dizia “Estimule as pessoas à sua volta a terem mais consciência ecológica, repassando todas essas dicas”. Bonito discurso. Faria um ola para o fast food se não me parecesse um tanto hipócrita. Lembrei na hora que há pouco mais de três meses a rede foi alvo de protestos do Greenpeace na Europa justamente por comprar frango da Sun Valley alimentado com soja plantada ilegalmente na Amazônia. No relatório da ONG intitulado “Comendo a Amazônia”, o Mc Donalds aparece como principal comprador de frango da fornecedora. Como pode uma empresa que banca o desmatamento e admite ser ciente da origem da ração dos franguinhos falar em consciência ecológica?

Que feio! Aconselhar a compra de fabricantes “verdes” quando ela mesmo não faz. A toalhinha é ótima, mas também não poderia esperar muito do Mc Donald´s que traz no verso das mesmas toalhinhas tabelas nutricionais e links para levar uma vida saudável. Um método “engajado” de lavar as mãos, não?


julho 19, 2006

Quarta é dia da picanha

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Não, não é no Carrefour, nem no açougue da esquina, mas no Panther´s Night Club! Um cartaz enorme anunciava na Avenida Santo Amaro. Trânsito parado em plena luz do dia e ele lá, na fachada da boate adormecida, ironicamente localizado quase em frente a um hortifrutigranjeiro.

Carne nobre. De primeira. Será que escolhem a mulherada que nem tomate, apalpando? E se estiver ruim? Bichada que nem goiaba? Argh!!! Melhor nem pensar.

Lendo aquela faixa lembrei de duas histórias. Já aviso, não são muito engraçadas. Uma delas é de Santa Catarina. Gaúcho adora sacanear catarinense, mas esse causo é verídico. Laguna, sul do Estado. Verão de 1999 e um açougue. Mami pede guisado (carne moída, o famoso boi ralado catarinense). Preço bom, cara boa, apesar da etiqueta dizer que era de segunda. Eis que frente ao interesse o açougueiro aumenta o valor:

- Ah! Esse é mais caro.
- Por que?
- É quase de primeira.

Pode isso? Também tinha um professor de biologia no cursinho pré-vestibular, o Maia, do Universitário. Nunca me esqueço. Com mais de cem alunos com os hormônios à flor da pele, interrompia vez ou outra a aula com uma dançinha ridícula ala Velma do Scooby Doo (lembram da Velma dançando?). Dizia que todo o fim de semana a gente ia para o açougue. Explicava ele: “Aquele lugar com música alta, pouca luz onde as gurias expõem a carne, os caras escolhem e levam para o abate.”

Tá aí. Canso de ir nos açougues da vida, mas em puteiro nunca pisei. Deve ser algo muito do bizarro. Um dia faço a experiência. Que fique bem claro, é pela mais pura curiosidade antropológica! Picanha por picanha ainda fico com a da churrascaria. Onde a gente só entra com a fome e não acaba com o espeto na mão.
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Viu, eu disse que não era engraçado. Deveria ter parado no Argh!!!

julho 02, 2006

É nóis outra vez!


Pausa para a modéstia heheh Pouca gente sabe, mas o nosso quadrado mágico da faculdade - Álvaro, Deza, Fernando e eu - já levou alguns títulos. Acabei de receber o link de uma reportagem sobre o prêmio Unirádio, da FM Cultura que ficamos com o 2º lugar com a reportagem sobre o Brique da Redenção. Valeu. Só soubemos da participação quando a ex-prof Doris Haussen avisou que já estávamos na final. Gostoso saber que a PUCRS não esqueceu da gente depois da graduação.
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Ai, que saudade dos tempos do rádio na Famecos! Saudades de todo mundo. E para compartilhar minha felicidade e mostrar um pouquinho da história do nosso querido Brique da Redenção, em Porto Alegre, deixo o link da reportagem:
http://cyberfam.pucrs.br/noticias.php?id=248 Dá para ouvir o nosso trabalho também.

Foto: Brique da Redenção (Direitos reservados à Associação dos Artesãos do Brique da Redenção)

julho 01, 2006

Au revoir, Brasil!

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Graças a Deus não apostei em bolão. Chega! Vou acompanhar campeonato de bocha. Ou de punhobol, de peteca, whatever. Quem sabe assim, sem esses salários astronômicos e com mais garra eu consiga ser uma torcedora feliz.

Que vergonha! Assistir o Brasil perder para a França dói, viu. Tudo bem que não foi nenhuma surpresa, mas dói. O mais duro foi assistir ao lado de uma torcida de franceses e ainda ter que ver os caras fazendo festa, dando cornetada no teu ouvido. Tanto bar em São Paulo eles tinham que ir justo para o que eu fui?

Não precisava ganhar, mas jogar feio é humilhante. Deixa a gente na mão porque não dá nem pra chamar o juiz de ladrão, nem se orgulhar de categoria. Que bela bosta!

Ficou freguês mesmo. Fazer o que, não? Afinal, não dava para continuar dependendo da má pontaria dos adversários. Uma hora isso ia acabar. Ainda que doloroso, foi merecido.

Au revoir, Brasil! Baixa a cabeça e volta pra casa. Quem sabe ainda dá tempo de rachar o vôo com a Argentina. E da Varig!

junho 22, 2006

Brasil x Argentina

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Quase presencio um confronto de Brasil e Argentina. Hoje. Em plena São Paulo, há cinco minutos do Ibirapuera. Sim. Quase aconteceu. Por uma distração. Por um impedimento de cerca de três metros.

Um sinal vermelho e o freio, na prorrogação. Não houve “crack”, mas “pluft”, na volta de um breve transe ante o cruzamento da Avenida Brasil com a Argentina. Engraçado. Por segundos quase trágico, mas interessante.

junho 17, 2006

Adeus zica! Vou ligar para o Faustão.


A zica braba passou. Sim. Inferno astral. Exatos 21 dias antes do Balaio completar um ano (Êeeee! Um ano!). Machuquei meu pé, bati o carro, descasquei abacaxi no trabalho, TCC. Tudo junto, tudo ao mesmo tempo, como o diabo gosta. Não adiantava. Não dava tempo nem ânimo de sentar aqui, enquadrar mais uma vez minha bunda e escrever algo brilhante e engraçado. Não dava.

Passou. E daquela forma estranha com a famosa coincidência, a "lenda urbana" que reza que depois de uma maré de má sorte, vem uma de pé quente. Do mesmo modo que tudo deu errado, tudo se acertou ao mesmo tempo. Com bônus. Pude descobri o real significado da frase "há males que vem para bem".

Fui ao teatro. Peça com Antônio Fagundes. Assim, decisão de última hora. Besta, aliás. Além do avançado da hora, ainda tinha a Av. Paulista interditada pela "Marcha por Jesus" como agravante. Mesmo assim, me arrumei em 15 minutos e fui, torcendo para conseguir driblar o mar de fiéis em pleno feriado. Começava rigorosamente às 21h. Chegamos 20h37, eu e minha irmã. Fila gigante. E a Dona Benta atendendo na bilheteria. Lerda de dar dó. "Só 10 minutos, pessoal. Quem entrar entrou" - gritava um funcionário.

Poxa! Eu não me abalei até lá para gastar R$ 10 em estacionamento e sair dali sem ver o Rei do Gado! Comecei a ficar indignada. "Mais 5 minutos!" - dizia aquele infeliz, num counting down do capeta. É a minha vez. "Duas meias na área 2", pedi e entreguei o cartão.
- Não tá passando o cartão, disse a D. Benta.
- Cheque?
- Não aceitamos cheque.
- Mas aí tá dizendo que aceita. Tenta passar o cartão de novo.
- Não dá. O sistema tá fora do ar.


Minha irmã sem um puto na carteira. Eu, sem o suficiente para pagar as duas entradas. "Que merda!" - pensei. Dá o segundo sinal e eu nervosa. Chamei o gritão para tentar resolver o problema. Eis que ele grita de novo, dessa vez para o bem: "Vem, vem, passa logo. Deixem os ingressos aí e sentem onde tiver lugar".

Legal! Entramos de graça! Heheh Encontramos lugares na área 1, central, e ainda teve bate-papo com os atores no final. R$ 140 economizados ou, no mínimo R$ 70. Que delícia! E os caras discutindo no palco a acessibilidade aos teatros. Hahaha Maravilha! Agora só falta ligar para o Faustão. Tem sorteio de casa com carro na garagem esse domingo. Quem sabe? Tenho que aproveitar a onda. Vamos lá, qual é o número mesmo? 88490?

maio 28, 2006

Chup-Biba???


Será um pirulito? Será um picolé? Será um brinquedinho sacana? Ou quem sabe a inscrição em um zeppeling da Parada Gay? NÃO...




... é doce de leite! Chup-chup. Mu-mu para os gaúchos. Quem diria. De Mococa-SP. Que nome infeliz! Será a feliz Biba do rótulo menino ou menina? Anyway é bom, mas lembre-se: "Mantenha em lugar fresco e arejado"

maio 25, 2006

Notícia do dia


" O pênis do brasileiro está ficando maior", dizia o locutor. Hahahaha ...Manchete forte. Logo pensei, se é verdade deve ser o catchup! Só pode! Ou os agrotóxicos, ou os conservantes, hormônios, etecétera, esses aditivos que põem na comida por aí.

Chamou a atenção, sem dúvida, embora não lembre o nome da fonte desse dado. A notícia se baseava em uma pesquisa que constatava um aumento na procura por preservativos tamanho G. Segundo a matéria, nos postos de saúde apenas são distribuídas camisinhas nos tamanhos P e M e a média do brasileiro é de 10 a 15 cm, para azar dos mais afortunados. E o locutor concluia dizendo: "Como o tamanho está relacionado com a masculinidade, a pesquisa agora vai averiguar se o que cresceu foi mesmo o documento ou o ego do brasileiro". Solta a vinheta. "Nova Brasil FM", e então começa uma música da Marisa Monte..."Desilusão viu, desilusaaaão. Danço eu, dança você..."

maio 01, 2006

Cores II


Cor é coisa complicada. Não dá para entender porque inventam tantos nomes. Já começam a dificultar no primário, quando, num belo dia, a “tia” chega com guache e, num ato de vandalismo, detona o vermelho, o azul e o amarelo. Dali a coisa só evolui, ou piora.

Tudo começa com os aparentemente inocentes roxo, verde e laranja. Não tardou muito para perceber que naquela sujeira se mascaravam cores corruptas. Que o diga Collor e tantos outros que adoram descolar umas verdinhas e um laranja pra pagar por seus pecados.

A tia segue com as descobertas com o branco e o preto (ausência de cor para os cults). Aparece o rosa, para a alegria das meninas fãs da Barbie, e então o azul claro (que as mães teimam em chamar de azul bebê), cores-signo da secção dos sexos, o que é um marco evidente da tentativa de reforço dos preconceitos sexistas.

O caos já sinaliza, mas ninguém parece dar a mínima. Logo tudo fica cinza, e em seguida, marrom, daí não muda pra cor nenhuma para frustração da criançada e felicidade do OMO.

A gente cresce e as cores ganham mais tonalidades, e como se não bastasse, também levam nomes esquisitíssimos, principalmente em rótulos de esmalte e de tintura de cabelo. Os homens não entendem, o que não é nada mais natural, afinal ninguém tem a obrigação de saber que Gabriela, Rubi, Brilho da Noite e Beterraba deixaram de ser nomes de mulher, pedra, luz e legume para se tornarem variações de vermelho. A propósito, quem inventa esses malditos nomes?

Não posso ser injusta. Os homens também empregam as cores de maneira um pouco confusa para certas mulheres. No futebol, por exemplo. Além dos verdão e azulão da vida tem o tricolor, o alvinegro, o rubro-negro, o alvianil e, o mais interessante de tudo isso, é que esses mesmos nomes servem para vários times! Não é impressionante? Como eles conseguem saber quando o tricolor é o Grêmio, o São Paulo ou o Fluminense?

Cores, cores, cores. Não me deixam azul raiva, nem vermelha de vergonha quando não conheço alguma delas, mas me digam, precisavam existir tantas? Bem, chega de falar delas. Vou vestir minha regata mostarda, botar uma saia grafite, calçar meu tamanco caramelo e dar uma voltinha.

abril 29, 2006

Camisas da Copa


Apesar de não ser gay andei tomando muita Pepsi e whisky nas últimas 24 horas. Faltava uma. Só uma tampinha para completar as cinco necessárias para trocar pela camiseta da Seleção, do guaraná Antártica.

Quer maneira mais gostosa de ficar uniformizado que bebendo? Pena as tampinhas de cerveja não valerem. Aliás, acho que merece um registro no SAC da Ambev! Pra quem só bebe refrigente em festinha de criança é muito difícil juntar esse montante. Tudo bem, nada que não se resolva. Fiz todo mundo beber vodka com Soda, whisky com o guaraná, pinga com Pepsi e Sukita pra curar a manguaça.

Gostei da humildade da Antártica. Antes que alguém perceba e diga "ih, não se parece muito com a camiseta do Pelé", a própria fabricante já incluiu um mea culpa em todas as peças. Pode olhar que tá lá, logo abaixo do número a inscrição em letras garrafais: "NINGUÉM FAZ IGUAL"

Gauchada, não se espante! Sim, a promoção existe. Fomos excluídos. Quem mandou trocar anos de Pepsi pela Coca-cola? O sul ficou de fora, paciência. Não é lá aquele espetáculo de camiseta, mas nada que se desintegre na primeira lavada. É uma boa promoção. E legítima, afinal não tem refrigentante mais brasileiro que os das frutinhas amazonenses.

A campanha mais legal ainda é a da Jontex: "Vista a camisa e vá para a Alemanha com Jontex!" Imagina os insights engraçadinhos que a equipe de criação não teve. Coisas do tipo: "Curta uma pelada e vá para Copa com Jontex!" Ai ai, são nessas horas que até me dá vontade de ter feito publicidade.

Enfim, acabo de descobrir que a promoção terminou. Ontem, para ser mais exata. É pessoal, agora não adianta mais juntar códigos de barra e esperar para correr pro abraço na Deutschland depois de um "bimba na gorduchinha".
Mesmo assim, quem quiser conferir a propaganda que rolou na MTV dá para ver no site (no bom sentido, viu?). Olha lá: http://www.jnjbrasil.com.br/jontex/campanhas.asp


abril 22, 2006

Fim da festa


Acabou a xeretagem anônima! O Orkut passou a mostrar quem foram as últimas pessoas a visualizarem o seu perfil. Não é lindo isso? Mais privacidade no orkut (para a vítima, claro heheh) Agora dá para cobrar da oposição. "E aí? O que você queria no meu orkut?" Ou daquela pessoa, digamos, interessante.

E as empresas de RH? Dará para saber se o usam como fonte alternativa de consulta também. Será que os headhunthers vão ganhar rostos? Quem sabe até ameaças?

A ver, a ver. O fato é que a festa acabou. Quemm xeretar estará dando a cara para bater. Achei ótimo!

abril 14, 2006

Mel...da

Acordei sentindo um cheiro de merda tremendo. Era tão forte, mas tão forte que chequei mais de uma vez se nenhum acidente noturno havia me ocorrido. Que péssima maneira de começar o dia!

Era a Mel. Uma poodle que sofreu um desarranjo na madrugada. Por sorte saí do quarto calçando um chinelo. A pobre havia deixado rastros por toda a casa.

Por mais perfume que se pusesse não adiantava. O ambiente já está impregnado e o olfato viciado naquele maldito fedor. Minha irmã, que planejava ir para o trabalho comendo um chocolate, desistiu. Olhou o excremento no chão e o aspecto do ovo de páscoa em sua mão e não teve estômago. Devolveu-o a seu lugar. Saímos. No final do dia, tudo cheirava a lavanda.

abril 11, 2006

Olha o chicote!


Blogueiros e hereges de plantão: morram de inveja! Estou trabalhando com a mente brilhante ou doente, quizás até demoníaca, dependendo do ponto de vista de alguns leitores, enfim com o jornalista por trás (ou à frente, vai saber hehehe) do famoso blog Jesus, me chicoteia!, Marco Aurélio dos Santos.

Para quem curte ou ainda não conhece fica o link aí do lado a partir de hoje. Buenas, me despeço parafraseando Pernalonga, antes que sobrem chicotadas para mim.

That's all, folks!


abril 10, 2006

Porto Alegre é demais!


Não imaginava tão bonita, nem tinha percebido um domingo tão sonoro e agradável como o daquela tarde ensolarada no brique, no coração do Bom Fim. No coração de Porto Alegre.

Realmente era verdade. Fui testemunha mais que ocular da cegueira que nos ocorre quando estamos habituados a um lugar. Tão qual a embriaguez que nos deixam os perfumes a ponto de causar enjôo até a melhor das fragrâncias.

Precisei pegar emprestado os olhos de turista. Passar um bom tempo fora e então enxergar, com meu olhar revigorado e saudosista, receber com intensidade todas as impressões que me deixavam cada canto da cidade por onde passei. Vasculharam minha memória, eu confesso. Sem eu pedir ou querer, num processo involuntário, mas prazeroso; de redescoberta.

Passeava eu ali. Entre gremistas e colorados com mate em punho. Entre as tribos que só vejo se mesclarem no Parque da Redenção, coisa que não vejo outra explicação senão a própria sugestão do nome quejá avisa ser ali um terreno livre, sem espaço para hostilidades.

Não enconcontrei nenhuma celebridade descabelada levando o cachorrinho pra fazer cocô na rua, mas amigos. Muitos amigos. Quase 50. Em Porto Alegre se vê gente que se conhece. Que não abana por simples simpatia ou cinismo ou para manutenção de seu eleitorado, mas porque de fato te reconhece. E é tão bom!

Porto Alegre não tem a quantidade de opções culturais que Sampa oferece, mas os programas que existem são devorados com voracidade. Como a terça-feira, a primeira de tantas em que finalmente pisei no bar Ocidente para assistir ao tradicional sarau. E o céu! Como esquecer do céu, que não fica cinza nem em dia de chuva. Do jeitinho que dizia a música. "A minha terra tem o céu azul. É só olhar e ver."

Vou sentir saudades. Provavelmente mais que antes. Por motivos distintos dos que me faziam sentir saudades outrora. O que alivia o aperto no peito é a certeza de que quando voltar, levarei novamente a lucidez dos olhos de turista para então gozar de estar em Porto Alegre como ela merece. Como sempre deveria ser.

março 27, 2006

Cores

Laranjinhas
Lembrete: Nunca entrar no aeroporto vestindo roupa cor de laranja.
Nunca vi tanto. É uma invasão! Tenho lá minhas dúvidas se eles não me perseguem. Ônibus laranja, funcionários do check-in ao comandante vestindo laranja. Tudo bem, é a identidade da companhia. Paro para jantar uma pizza e adivinha de que cor eram os uniformes dos atendentes? Siiiim! Não tive coragem de pedir o suco. Tomei um guaraná.
Red
Free shops são um paraíso à parte. Meu embarque era no portão internacional. Uma maravilha. Apesar da fila para alfândega, mesmo com passagem doméstica, gastei uns bons minutos entre prateleiras de perfumes importados a preço de banana. Converti o valor para real no celular. Menos da metade, que delícia!
Um aviso alertava que ali não se aceitava pagamentos em reais. Perguntei para a caixa se aceitavam cartão de crédito. "Claro. Todos menos os de débito" - respondeu. Feliz da vida, peguei um Hugo Boss Red e estiquei o braço para alcançar meu cartão. Eis que me pedem: " Por favor, o passaporte e o cartão de embarque." Não tinha passaporte em mãos e só o bilhete pra Porto Alegre. Com aquela educação de aeroporto que beira o irritante a caixa me disse: "Sinto muito, senhora. Só podemos vender para quem vai deixar o país." Por segundos, cheguei seriamente a pensar em partir para Montevidéu.
Colorê
Existem estratégias de marketing no mínimo burras. Deparei-me com uma delas num desses meus fins de semana de mãe honorária. Fui ao cinema assistir um filme infantil com minha irmãzinha. Sala especial. Em letreiros coloridos dizia: "Espaço Disney". Bacana - pensei, isso antes de entrar na sala.
Gritaria. Pipoca no chão. Cabelo na mão. Era uma bagunça! As cadeiras; cada uma de uma cor, e a criançada enlouquecida e hostil, brigando ora pela cadeira rosa, ora pela azul, ora pela amarela... Se Chaves adentrasse aquele espaço, possivelmente diria a quem o elaborou: " Que burro, dá zero pra ele!"
Enfim, poderia ser pior. Ainda bem que não estavam estampadas com as caras dos personagens.

março 24, 2006

Office-girl

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Descobri que estava quebrado só quando abri. Puta merda! – pensei – peguei o guarda-chuva errado. Justo quando teria que descer e em seguida dar uma bela pernada de salto alto até alcançar a Av. Paulista. Estacionamentos não faltam pela redondeza, é verdade, porém são caros e o metro quadrado por minuto costuma sair salgado por aquelas bandas.

O relógio marcava 7h35. Já previa a necessidade de fazer hora pelo menos até os bancos abrirem. Deixei o carro bem longe, onde assegurasse que ao invés de R$ 8 a hora não pagaria mais que R$ 2 pelo mesmo período. Longe, inconveniente, mas econômico. Pra variar, mais uma vez meu lado fresca se curvava ao pão-dura, que só perde para o outro quando cai naquele velho truque da liquidação. Ô palavrinha perigosa!

Segui munida apenas com aquele pedaço de tecido com meia dúzia de varetas ainda inteiras, brigando numa luta acirrada contra o vento e a chuva que pareciam vir cada vez mais fortes, num delírio sarcástico, como se obtivessem prazer em serem responsáveis pelo meu desalinho. Quase 8 da manhã. Em meio ao atrapalhado manuseio da coisa estropiada tentava manter certa elegância para não fazer feio naquela passarela empoçada onde desfilavam apressados ternos e gravatas pra lá e pra cá.

Tinha assinalado na agenda tudo que deveria fazer naquela manhã. Primeiro sacaria dinheiro para pagar uma conta de luz vencida com título de outro banco. Depois buscaria os livros de espanhol encomendados na véspera. Passaria então em uma lotérica para recarregar meu celular e também não poderia esquecer de passar numa farmácia no caminho.

Cheguei enfim no primeiro banco. Um dos caixas eletrônicos estava sob manutenção. O do lado, quem sabe, estaria funcionando. Esperei para ver se o rapaz que estava a minha frente sairia daquele caixa com sucesso. Olho para o lado enquanto aguardo, até porque não é prudente olhar para frente nesses lugares. Sempre tem um desconfiado que pensa que a gente tá lá tentando bisbilhotar a senha do infeliz.

E estava lá, colado naquela porta de vidro trancada o aviso do banco que dizia: “Expediente das 10h às 16h”. Droga! Podia jurar que abriam às 9h! Era inacreditável que naquela babilônia onde todos pareciam estar sempre com pressa fosse possível contar com a boa vontade dos bancários só a partir daquele horário. Sindicato forte é outra coisa mesmo. Seria uma hora a mais para esperar e engordar o cofrinho do estacionamento.Que jeito? Saquei o dinheiro e empunhei novamente aquele troço para encarar a chuva. Um café, quem sabe? E um livro. Buk me faria boa companhia e transformaria aquele monte de ócio em segundos.

Foi o que fiz e, de fato, passou voando. Dei seguimento ao meu plano. Fila de banco. Conta paga. Livros pegos. Celular carregado. Remédio comprado.

Cheguei em casa e a chuva parou.

março 08, 2006

Reflexão do dia


O dia que um homem me possuir com a mesma voracidade com que os pernilongos me atacaram essa noite, aí sim, me sentirei a mulher mais gostosa do mundo!

março 07, 2006

Brokeback Mountain, refri gay e iniciativa feminina

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Sexta-feira. Última sessão. Uma corrida só para ver os principais indicados ao Oscar em tempo de acompanhar a cerimônia. Já adianto que não consegui ver todos que gostaria. Confesso até que estava bem mais inclinada a assistir Paradise Now, indicado para melhor longa estrangeiro, do que priorizar o filme que José Simão carinhosamente apelidou de “Rave na Montanha”, favorito para levar os homenzinhos dourados para casa e com quatro estrelinhas dadas pela Veja.

Pois bem, que mal tem. Afinal a produção palestina só estava em cartaz em um cinema e sem sessões extras como a dos cowboys. Aliás, abre parênteses, nunca mais a expressão “tomar um cowboy” terá o mesmo sentido para mim. Viram como os caras se encharcavam de uísque? Puro? Será que foram nas pescarias de um Clube do Bolinha gringo e muito suspeito que surgiu a expressão?

Não importa. O que interessa é que o amor é lindo, o Heath Ledger é lindo e a Pepsi é gay! Para quem ainda não viu ou resolver entrar no clima do tema e deixar aflorar o teletubbie que tem dentro de si (De novo! De novo! Heheheh) nem precisa prestar muita a atenção para identificar o logo da Pepsi no México, onde, segundo consta na própria narrativa, tudo pode. Os “chicos” podem ficar soltos e endurecer sem perder a ternura. Será que foi apostando nesse nicho que a marca lançou o Pepsi X na esperança de regar as loucas noites de rave? E a Coca-cola no filme? Aparece imponente, num freezer bem grande e vermelho atrás de um casal hetero. Estranho, muito estranho...

Bom, eu não quero contar a história pra quem não viu até porque é o tipo de sacanagem que ninguém merece, portanto, se alguém se sentir ameaçado lendo esse texto SAIA JÁ E SÓ VOLTE COM O FILME VISTO! Se não, pode ler porque eu não vou contar nada de mais mesmo. Além de muito alcohol, da guerra dos softdrinks e de talvez, promover uma bela campanha anti-tabagista homofóbica (só os gays fumam nesse filme, é incrível!), outra coisa poderia soar como uma indireta à mulherada, como quem diz: “Se ele te viu, você deu mole e ele nem, esquece garota! O gato não tá afim ou não gosta da fruta”.

Meus primos estiveram em Sampa semana passada. Durante a exibição do filme foi inevitável lembrar de uma observação feita em relação ao comportamento dos homens e mulheres na noite paulistana. Disse meu primo: “Bah, os caras são meio parados por aqui, né? Não chegam muito nas gurias”. “Não é sempre assim, mas a mulherada aqui também não perdoa”, respondi.

Existem inúmeros fatores pra justificar a falta de timing dos meninos (covardia, comodismo, timidez, achar que a carne daquele açougue é de segunda mesmo,...), mas fiquem espertas, colegas! Hello! São Paulo não conquistou o título de uma das maiores paradas GLBT do mundo à toa. Há maneiras bem mais femininas de se demonstrar interesse sem um approach mais agressivo. Quando o cara não quer, não quer. Não adianta forçar a barra nem é inteligente chamar de veado. Deixa estar. Eu vou deixar. Pelo sim, pelo não, só quero bambi infeliz na minha cama se for em estampa de lençol neo-expressionista. Pessoal, sem ofensa, viu? Como dizia um ex-cunhado, “eu sou S”! Amigo, amigo...